Tatyana Valeria e Mariana Selim debatem sobre a posição da mulher na sociedade; veja as questões

Nesta sexta, elas retomaram o debate para falar sobre sobre maternidade, espaço da mulher no mercado de trabalho e na política

O programa F5 da 89 Rádio Pop, recebeu nesta sexta-feira (4), a autora do curso Resgatando a Feminilidade e influenciadora digital, Mariana Selim e a editora do site Paraíba Feminina, Tatyana Valéria para falar sobre a posição da mulher na sociedade, a partir de diferentes visões.

Na semana passada, o debate já tinha começado com polêmicas, mas com um entendimento unânime, que o feminismo é um movimento político, coletivista que busca a emancipação das mulheres.

Entretanto, de acordo com Selim, na prática é diferente. A influenciadora afirmou que as pensadoras do movimento feminista defendem a segregação e pregam o ódio aos homens, inclusive com uma perspectiva eugenista. Para Valéria, o movimento, assim como todos os movimentos sociais, sofreu diversas mudanças ao longo do tempo e passou por revisões.

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Nesta sexta, elas retomaram o debate para falar sobre sobre maternidade, espaço da mulher no mercado de trabalho e na política. Veja a abordagem de cada uma:

Maternidade

Tatyana Valéria: Para a jornalista, a maternidade não deve ser compulsória, deve ser uma decisão consensual que respeite a escolha da mulher. Isso porque o Brasil possui quase 30 milhões de lares chefiados apenas por mulheres, e no modelo de sociedade em que vivemos, a maternidade dificulta a vida profissional, principalmente pela discrepância na distribuição das atividades domésticas. Ela ainda aponta que essa ‘tradição’ que defende que ‘família precisa de filhos’ é, apenas, uma opinião e que não deve ser vista como algo impositivo.

Mariana Selim: A influenciadora inicia sua fala de maneira contrária ao aborto, já que  algumas feministas consideram um feto  apenas um ‘amontoado de células’, na visão dela já é uma vida e cita o caso do filho do Whindersson Nunes, que nasceu prematuro e veio óbito: “Você diria aos pais que é apenas um ‘amontoado de células’”? – indaga. Para ela, é necessário prudência e planejamento, entretanto, se diz contra o uso da contracepção. Ainda defende que as mulheres têm sim inclinação à vida doméstica e que devem procurar formas criativas de trabalho em que consigam conciliar com o lar, como o comércio e iniciativas empreendedoras.

Espaço da mulher no mercado de trabalho

Mariana Selim: De acordo com a influenciadora, é preciso analisar em que setor essa mulher está inserida. Na medicina, por exemplo, as mulheres estão em profissionais mais afetivos e maternidade, que ganha menos que cardiologia, isso não significa que o homem médico ganha menos que a mulher médica. Selim aponta que o princípio da isonomia salarial não permite que haja essa desigualdade. Ela também afirmou que trabalho não é um direito, uma necessidade e uma questão de sobrevivência, sobretudo as mais pobres, e remonta as mulheres da Bíblia para justificar que o trabalho das mulheres não é uma conquista do feminismo.

Tatyana Valéria: A jornalista aponta dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) que apontam que a diferença salarial entre homens e mulheres é de 47%, 57% do corpo acadêmico é composto por mulheres e 60% dos da pesquisa brasileira é desempenhada por mulheres. Entretanto, não há uma estrutura adequada para as mulheres se dedicarem ao trabalho e a pesquisa, elas precisam fazer o dobro que os homens fazem para conseguir alguma coisa. E quando as mulheres tentam se impor, são vistas como agressivas. Ela aponta que as empresas veem obstáculos em contratar mulheres por causa da maternidade.

Representatividade na política

Tatyana Valéria: É preciso igualdade! Os espaços de representação política são predominantemente masculino. No estado só existem 37 prefeitas eleitas, na capital João Pessoa apenas 1 (uma) vereadora e em Campina Grande temos 7 vereadoras, mas apenas em 2020, a cidade elegeu a primeira mulher negra. Na Assembleia Legislativa são 6 deputadas e é perceptível a diferença nas pautas e projetos defendidos. Entretanto, o acesso ao espaço político é negado antes dos partidos e eleições, há uma estrutura social que dificulta as mulheres chegarem à política. Isso facilita a existência das campanhas laranjas, pois as mulheres que querem não conseguem chegar e os partidos colocam o nome de qualquer pessoa para garantir a verba dos fundo partidário. Para a jornalista, as mulheres pensam as pautas de forma coletiva visando o bem-estar da sociedade como um todo. Ela ainda aponta que para as mulheres conseguirem algum cargo é visto seu sobrenome, e não sua atuação, ideias e propostas.

Mariana Selim: As últimas eleições mostraram que as mulheres conseguem chegar aos cargos públicos em 2018. Ana Caroline Campagnolo, deputada estadual de Santa Catarina e autora do livro “Feminismo: perversão e subversão” é um exemplo. A influenciadora acredita que as mulheres não têm muita inclinação à política. “Elas não gostam de política, porque é um ambiente hostil” – aponta. Um exemplo para ela, foi a participação da pesquisadora Nise Yamaguchi na CPI da Pandemia: “ela foi tratada como se estivesse num tribunal da inquisição, foi constrangida, coagida, humilhada” – aponta.

Polarização e o perigo das narrativas

Tatyana Valéria: “A gente vive um momento com um número enorme de mortes, as instituições não estão funcionando, pelo contrário estão desmanchando – referindo-se ao não punição de Pazuello. É um momento de negacionismo, violência institucional, desordem. Quando a Lava Jato começou, a gente sabia que estava tudo errado. Estamos pagando um preço alto por briga de narrativa” – aponta. A jornalista acredita que Bolsonaro se elegeu através de fake-news pelo WhatsApp e o caminho para mudar a situação é tirando ele do poder. “O Brasil não aguenta mais 4 anos com a extrema direita no poder” – afirma. Entretanto defende o debate sem extremismos.

Mariana Selim: “O grande problema da pandemia são os negacionistas. Senadores estão debatendo saúde pública e querendo saber mais sobre médicos e pesquisadores renomados. Não tem a menor condição de me unir com pessoas que defendem aborto, com quem acredita que quem pensa diferente deve ser retirado do debate, com quem não acredita na Bíblia. Sou defensora da segurança das mulheres, mas não há como me unir com uma pessoa que tem um pensamento totalmente diferente do meu” – aponta.

Confira a entrevista na íntegra:

2 COMENTÁRIOS

  1. Uma pena que transcrever um debate de quase uma hora em 8 linhas tenha que ser selecionado os trechos que voces julgam mais importantes. Achei o debate muito válido, mas para ter um verdadeiro posicionamento acerca do que foi falado seria necessário ver a entrevista na íntegra, no mínimo. Ler assim fica muito selecionado e sob a ótica dos valores de quem escreveu. Sinto muito, mas essa matéria acaba sendo um discerviço.

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