
O acordo entre União Europeia e Mercosul está previsto para ser assinado em 17 de janeiro, conforme comunicado do Ministério das Relações Exteriores da Argentina. O evento ocorrerá no Paraguai e representa a conclusão de mais de três décadas de negociações, criando a maior área de livre comércio global.
Nesta sexta-feira (9), os países da União Europeia aprovaram o tratado por ampla maioria, conforme confirmação do Chipre, que exerce a presidência rotativa do bloco. Os embaixadores dos 27 Estados-membros sinalizaram aprovação provisória do acordo em reunião realizada em Bruxelas. O texto, agora aprovado pelo Conselho da UE, depende da ratificação final do Parlamento Europeu para entrar em vigor.
O acordo de livre comércio entre UE e Mercosul prevê a eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além de definir regras comuns para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O tratado amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, especialmente para a maior economia do Mercosul, o Brasil, beneficiando diferentes setores além do agronegócio.
Apesar da aprovação majoritária, o acordo enfrenta resistência de alguns Estados-membros da União Europeia, como França, Irlanda, Hungria e Polônia, principalmente devido a preocupações com o impacto no setor agrícola. O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que os benefícios econômicos para a França e Europa seriam limitados. Além disso, produtores rurais franceses temem a concorrência de produtos latino-americanos com custos e padrões ambientais distintos.
Por outro lado, a Itália teve papel decisivo na aprovação, com o governo condicionando seu apoio ao atendimento de demandas do setor agrícola. A Comissão Europeia propôs a liberação acelerada de 45 bilhões de euros para agricultores, o que foi considerado um avanço positivo pela primeira-ministra Giorgia Meloni e pelo ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida.
Com a aprovação do Conselho da UE, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar oficialmente o acordo já na segunda-feira (12), no Paraguai. Após a assinatura, o texto seguirá para análise e aprovação pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor oficialmente.