
A Prefeitura de Campina Grande iniciou a instalação de aeradores no Açude Velho como medida emergencial para melhorar a qualidade da água do reservatório, que recentemente registrou a mortandade de cerca de 10 toneladas de peixes. A ação é coordenada pela Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma) e tem como objetivo aumentar os níveis de oxigênio dissolvido na água.
Ao todo, estão sendo implantados quatro aeradores do tipo chafariz, que promovem a oxigenação vertical, e dois do tipo palheta, responsáveis pela movimentação horizontal da água. Os equipamentos chegaram no último dia 15 e a montagem foi concluída no dia 19, segundo a prefeitura, com o trabalho de oito técnicos da Sesuma. A previsão é de que outros dois aeradores sejam instalados posteriormente, totalizando oito equipamentos em operação.
Segundo o engenheiro civil da Sesuma, Marcus Aurélio Coutinho Barreto Filho, os aeradores foram posicionados na área central do açude, considerada a mais profunda, para garantir maior eficiência sem provocar a ressuspensão de sedimentos do fundo.
“O objetivo é aumentar a concentração de oxigênio dissolvido de forma segura e controlada. A expectativa é de que, em poucos dias, já seja possível observar melhorias visíveis, como a redução da coloração escura da água e do odor causado pela decomposição anaeróbica”, explicou.
A prefeitura informou que a medida será acompanhada por monitoramento contínuo dos níveis de oxigênio, permitindo ajustes técnicos e uso racional de energia.

A instalação dos aeradores ocorre após a divulgação de um estudo realizado pelo Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lápis), vinculado à Universidade Federal de Alagoas (Ufal). O levantamento, coordenado pelo professor Humberto Barbosa, analisou imagens de satélite do Açude Velho entre julho de 2025 e janeiro de 2026.
As imagens mostram mudanças significativas na coloração da água antes da mortandade dos peixes, indicando a dispersão de esgoto e uma “explosão” de algas no reservatório. Segundo o pesquisador, o excesso de nutrientes favoreceu o crescimento de fitoplâncton, reduzindo drasticamente a oxigenação da água.
O estudo também aponta que, apesar do processo de eutrofização, o despejo irregular de esgoto e o aumento anormal do volume de água no período foram fatores determinantes para o colapso ambiental registrado no açude.
O material foi entregue ao Ministério Público da Paraíba (MPPB), que investiga tanto a mortandade dos peixes quanto o lançamento irregular de esgoto no reservatório.
A prefeitura fiscalizou 66 imóveis no entorno do Açude Velho e multou nove por despejo irregular, sendo um reincidente.

Em nota técnica, a Prefeitura de Campina Grande atribuiu a mortandade dos peixes a um fenômeno ambiental natural chamado “Circulação Vertical Turbulenta da Coluna d’Água”, comum em reservatórios do semiárido. De acordo com o município, a combinação de altas temperaturas, ventos intensos e baixa lâmina d’água teria provocado a liberação de gases tóxicos acumulados no sedimento, como metano e gás sulfídrico, causando intoxicação dos peixes.
Já o estudo da Ufal ressalta que, em condições normais, o aumento do volume de água deveria contribuir para a oxigenação do reservatório, e não para a mortandade da fauna aquática.
A prefeitura anunciou que deve lançar ainda no primeiro semestre de 2026 uma licitação para a revitalização do Açude Velho. O projeto prevê a construção de uma grande estação de tratamento para coletar, tratar e devolver ao açude a água atualmente contaminada por esgoto, além de um processo de desassoreamento.
A obra deve custar mais de R$ 30 milhões, segundo a Secretaria de Obras (Secob). O Açude Velho, apesar de não abastecer a cidade, é considerado o principal cartão-postal de Campina Grande e tem valor histórico para o município.