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Análise: o dia em que o CEO da Braiscompany deu um tiro no pé
20/02/2023 / 06:40
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Nos últimos dias só se fala no escândalo da Braiscompany que se promovia como a maior empresa de tecnologia blockchain da América Latina, atraindo milhares de investidores com a promessa de uma rentabilidade mensal de até 8% com aplicações em criptoativos – e agora está sob suspeita de ser uma gigantesca pirâmide financeira, um esquema similar ao do Faraó do Bitcoin.

Quem não caiu no canto da sereia já suspeitava de que a Brais era uma pirâmide. Viam no empresário Antonio Neto um Bernie Madoff campinense. Vez por outra, pipocavam denúncias, mas as investigações não prosperaram – e acredita-se que a proximidade de Antonio Neto com políticos e gente da justiça o tenha blindado por algum tempo.

Até onde a vista alcança, o negócio desandou quando em novembro passado uma das principais plataformas de compra e venda de criptomoedas do mundo, a FTX entrou com pedido de falência nos EUA e abalou violentamente a esfera de operações virtuais do mercado financeiro.

De acordo com o processo judicial que apura o caso, o grupo deve apenas a seus cinqüenta principais credores aproximadamente  US$3,1 bilhões. O colapso abalou a confiança e o futuro do já perturbado mercado virtual de moedas.

Era o que faltava para a Braiscompany desandar.

De novembro até janeiro, seu CEO e fundador, Antonio Inacio da Silva Neto, que usa o nome Antonio Neto Ais, havia adotado a estratégia acertada de não falar publicamente sobre o assunto.

Mas, no dia 07 de fevereiro ele decidiu falar. E o que fez? Fez besteira, muita besteira. Mostrou insegurança, nervosismo e usou como escudo os seus advogados. Foi nesse dia que entrou na mira do Ministério Público e dias depois foi alvo de uma operação da Polícia Federal.

Neste aspecto, Toinho do Bitcoin como é jocosamente tratado, foi ingênuo, muito ingênuo.

Os números envolvidos no possível esquema fraudulento ainda serão objeto de inquérito, mas as estimativas é que pelo menos 10 mil pessoas tenham transferido recursos para a empresa, a maior parte delas de Campina Grande, onde a Brais foi fundada em 2018 por Ais e sua esposa, Fabrícia Farias Campos. Como alguém consegue fazer tudo isso e não se cercar de bons advogados?

Pelo que se observa, não existe uma banca jurídica de renome que apareça em defesa da empresa. Ais, se cercava de gente inexperiente e amadora.

Uma empresa que se vendia como uma gestora de recursos nesse montante e não tem gestão? Não tinha sequer uma assessoria de imprensa para elaborar as notas nesses meses de crise. Ele fazia tudo com a meninada de calça curta e gel no cabelo.

As pessoas foram seduzidas e acabaram vítimas do FOMO (fear of missing out), o medo de ficar de fora.

No live do dia 07,  a imprensa, o Ministério Público e a Policia Federal juntaram as peças. As justificativas apresentadas eram iguais as pirâmides do boi gordo e avestruz, do passado.

Pô, Toinho!