Arrecadação da taxa das blusinhas cresce 25% em janeiro
03/04/2026 / 17:00
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Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A arrecadação da taxa das blusinhas, imposto de importação aplicado sobre encomendas internacionais, atingiu R$ 425 milhões em janeiro de 2025, um aumento de 25% em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando foram arrecadados R$ 340,9 milhões, conforme dados da Receita Federal. No período, foram registradas 15,3 milhões de remessas internacionais, frente a 11,4 milhões em janeiro de 2024.

Essa tributação, implementada em agosto de 2024 após aprovação do Congresso Nacional, estabelece uma cobrança de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por empresas cadastradas no programa Remessa Conforme, que busca regularizar as encomendas e garantir o cumprimento das obrigações tributárias por parte dos consumidores. O programa já conta com a participação de cerca de 50 milhões de brasileiros.

A taxa das blusinhas foi criada em resposta a demandas da indústria nacional, que buscava reduzir a diferença tributária entre produtos fabricados no Brasil e importados via comércio eletrônico. A medida foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar de sua ressalva sobre a decisão.

Em 2025, a receita acumulada da taxa das blusinhas alcançou um recorde de R$ 5 bilhões, contribuindo para o cumprimento da meta fiscal do governo. Entretanto, a cobrança provocou impactos negativos para os Correios, que enfrentam uma crise financeira agravada pelos efeitos da redução das encomendas postais.

No contexto político, há discussões sobre a possível revogação do imposto. A ala política do governo, com destaque para o ministro Sidônio Palmeira da Secretaria de Comunicação da Presidência, avalia o fim da taxa em ano eleitoral. Paralelamente, a Câmara dos Deputados analisa um projeto de lei que extingue a cobrança para compras internacionais de até US$ 50 por comércio eletrônico.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, antigo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, afirmou que defendeu a criação da taxa para proteger a indústria nacional, a geração de empregos e a renda no país. “O produto fabricado no Brasil paga em média 45% de tributos, enquanto o importado paga menos mesmo com a taxação”, destacou Alckmin, que deixou a pasta para concorrer à reeleição como vice-presidente. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também reconheceu a importância da taxa para preservar empregos na cadeia produtiva nacional.