Associação denuncia propaganda eleitoral em culto de Malafaia
05/05/2026 / 11:54
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Foto: Reprodução

Propaganda eleitoral antecipada foi denunciada no Ministério Público Eleitoral após um culto realizado no último domingo (3) na Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), no Rio de Janeiro. Durante a celebração da Santa Ceia, o pastor Silas Malafaia manifestou apoio público à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República em 2026, interrompendo a liturgia para convocar o parlamentar e outras lideranças ao altar.

O Brasil possui regras eleitorais específicas para coibir a propaganda antes do período autorizado pela Justiça Eleitoral, além de legislações que vedam o uso de bens e espaços públicos ou de instituições religiosas para fins eleitorais. A conduta denunciada se enquadra no artigo 36 da Lei das Eleições, que proíbe a propaganda eleitoral antecipada, e pode resultar em multas e inelegibilidade.

A Associação Movimento Brasil Laico protocolou uma representação contra o pastor Silas Malafaia, a ADVEC e cinco pré-candidatos que participaram do evento no altar: Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência; Douglas Ruas (PL), pré-candidato ao Governo do Rio de Janeiro; Sóstenes Cavalcante (PL), pré-candidato à reeleição na Câmara; Cláudio Castro (PL), pré-candidato ao Senado; e Marcelo Crivella (Republicanos), pré-candidato a deputado federal.

A ação aponta que o culto religioso foi utilizado como instrumento para campanha eleitoral, caracterizando abuso de poder religioso e econômico, e pede medidas urgentes, como a preservação dos vídeos do evento e a aplicação de multas que podem chegar a R$ 25 mil por participante. Além disso, solicita a declaração de inelegibilidade por oito anos para Silas Malafaia e Flávio Bolsonaro, bem como a cassação de eventuais registros de candidatura ou diplomas.

O documento também recomenda que a Receita Federal investigue a ADVEC por possível desvio de finalidade, o que poderia acarretar a perda da imunidade tributária da instituição.

No mesmo evento, o pastor Silas Malafaia fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao ministro Alexandre de Moraes, qualificando o inquérito das fake news como “imoral” e mencionando perseguição política. Flávio Bolsonaro, em seu discurso, reforçou sua aliança com o setor evangélico.

O caso ainda está sob análise da Procuradoria Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, que deverá avaliar as provas e tomar as medidas legais cabíveis.