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Automedicação acende alerta para riscos à saúde
21/01/2026 / 11:18
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Foto: Divulgação

Durante as férias e viagens de verão, a quebra da rotina e o deslocamento para outras cidades fazem com que muitas pessoas busquem alívio rápido para dores, mal-estar e sintomas leves por meio da automedicação. O hábito, que pode parecer inofensivo, oferece sérios riscos à saúde e é bastante comum no país: uma pesquisa do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ) aponta que 86% dos brasileiros costumam tomar medicamentos sem orientação médica.

Além disso, os impactos vão muito além do alívio momentâneo dos sintomas. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), cerca de 20 mil pessoas morrem anualmente no Brasil em decorrência do uso inadequado de medicamentos. A prática é considerada um problema de saúde pública pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode causar danos irreversíveis ao organismo, especialmente quando realizada sem avaliação médica adequada.

Estudos epidemiológicos sobre automedicação apontam que a dor é a principal condição que leva as pessoas a utilizarem medicamentos sem supervisão médica, seguida por febre e mal-estares leves.

O clínico geral da Hapvida, Jefferson Emiliano, alerta que, embora muitos medicamentos sejam amplamente utilizados e até vendidos sem prescrição, eles não são isentos de riscos. O uso inadequado de analgésicos pode causar lesões gástricas, sangramentos, problemas renais e toxicidade hepática, especialmente quando utilizado em doses elevadas ou por tempo prolongado. Além disso, a automedicação sem avaliação médica pode provocar efeitos adversos, intoxicações e mascarar doenças, já que o alívio temporário dos sintomas pode atrasar o diagnóstico de condições mais graves.

Outro ponto de atenção destacado pelo profissional é a combinação de medicamentos sem orientação médica. Segundo Jefferson Emiliano, a associação inadequada de remédios pode provocar interações medicamentosas capazes de modificar de forma significativa o efeito esperado, tanto potencializando quanto reduzindo a eficácia dos fármacos. Entre as principais consequências dessas interações estão sonolência excessiva, quedas de pressão, sangramentos e lesões gástricas, o que pode representar riscos importantes à saúde.

A prática da automedicação pode trazer riscos ainda maiores para determinados grupos, especialmente pessoas com doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e problemas renais. De acordo com o médico, esses pacientes estão mais suscetíveis a complicações, já que muitos medicamentos podem interagir com tratamentos de uso contínuo, alterar o controle da doença de base ou agravar o quadro clínico.

O alerta também é válido para os órgãos mais frequentemente afetados pelo uso excessivo de medicamentos, uma vez que o fígado é responsável pelo metabolismo dos fármacos, os rins pela eliminação dessas substâncias e o estômago pode sofrer irritação, gastrite e sangramentos, sobretudo com o uso inadequado de analgésicos e anti-inflamatórios.

“Sintomas de início súbito, intensos ou persistentes, como dor no peito, dor abdominal, vômitos, alteração do nível de consciência, febre alta, crises convulsivas e reações alérgicas graves exigem avaliação profissional”, reforça.

Telemedicina

Durante viagens ou períodos de férias, a teleconsulta surge como uma alternativa segura e eficaz. Segundo Jefferson, o atendimento remoto permite avaliação inicial de sintomas, orientações médicas e elucidação de dúvidas de saúde, sendo especialmente útil em casos leves e moderados, além de situações como renovação de receitas e orientações sobre o uso correto de medicamentos. O médico destaca, ainda, que, por meio da avaliação clínica a distância, é possível orientar sobre a real necessidade de medicação, indicar o medicamento mais adequado, definir dose, intervalo e tempo de uso, além de alertar sobre possíveis efeitos colaterais e interações medicamentosas, contribuindo também para a identificação de sinais de alerta que indiquem a necessidade de atendimento presencial.

Para quem pretende viajar, o médico reforça que o planejamento prévio é fundamental. “Antes da viagem, é importante organizar os medicamentos de uso contínuo, levar receitas atualizadas e conhecer as opções de atendimento médico no destino, incluindo serviços de urgência e teleconsulta”, orienta. Ele acrescenta que cuidados com a alimentação e com o consumo excessivo de álcool podem ajudar a prevenir sintomas como dores, mal-estar e distúrbios gastrointestinais, contribuindo para férias mais seguras e para a preservação da saúde.

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