23.1 C
João Pessoa

Auxílio Brasil: Empobrecimento e queda na renda explicam aumento na fila, dizem especialistas

Para eles, se o benefício de fato for encerrado em 2023, conforme previsto, a pobreza deve subir muito no ano que vem

O aumento da fila do Auxílio Brasil, que chegou a 1,5 milhão de famílias em julho, dobrando em apenas dois meses — com mais de 130,5 mil famílias na fila nas principais capitais do país, Rio e São Paulo — chama a atenção e tem duas explicações, diz Marcelo Neri, diretor da FGV Social.

Primeiro, há um empobrecimento geral das pessoas no Brasil, inclusive nas grandes capitais. O outro fator é que o valor do benefício subiu de R$ 400 para R$ 600, o que acaba atraindo mais gente, incluindo famílias que ficaram sem nenhuma ajuda financeira após o fim do Auxílio Emergencial.

Leia Também

A pobreza que se vê nas ruas e periferias de hoje está no mesmo nível da registrada entre 2009 e 2011.

Pobreza, fome, educação são algumas das áreas que pioraram
— Essa fila, no país e nas capitais, é resultado desse empobrecimento da população nos últimos dois anos. E também da oferta de um auxílio mais generoso, que chega a R$ 600 — diz Neri, lembrando que embora o desemprego esteja caindo, a renda das famílias continua sendo afetada pela alta do custo de vida e o efeito da inflação acaba sendo mais forte do que a recuperação do mercado de trabalho.

Dados do Mapa da Nova Pobreza, elaborados pela FGV, mostram o crescimento da pobreza no país, desde 2019 até o ano passado. O total de pessoas com renda domiciliar per capita até R$ 497 mensais atingiu 62,9 milhões de brasileiros em 2021, cerca de 29,6% da população total do país.

Este número, em 2021, corresponde a 9,6 milhões de pessoas a mais que em 2019, quase um Portugal de novos pobres surgidos ao longo da pandemia.

No caso de São Paulo, o crescimento da pobreza na capital foi maior do que do estado, entre 2019 e 2021. O aumento foi de 5,2 pontos percentuais no município, enquanto no estado o crescimento foi de 4,54 pontos percentuais. No estado, o índice de pobreza chega a 17,9%.

Ele observa que com o fim do Auxílio Emergencial (benefício dado durante a pandemia) e a transição para o Auxílio Brasil pelo menos 20 milhões de famílias ficaram sem nenhuma ajuda financeira. A demanda dessa população por ajuda financeira ajuda a aumentar a fila.

Com pandemia e sem o auxílio emergencial, pobreza aumenta no país
— Como o Estado brasileiro não consegue aumentar a oferta de proteção social, a fila cresce — diz Neri.

FGTS vai distribuir lucro de 2021: a cada R$ 1 mil na conta, trabalhador receberá R$ 24,48
Ele observa que se de fato o Auxílio Brasil for encerrado em 2023, conforme previsto, a pobreza deve subir muito no ano que vem. Mesmo assim, avalia Neri, se quiser manter o benefício, o novo governo terá que fazer um “freio de arrumação”.

— Esse benefício não foi bem formulado. Não está focando os mais pobres. Por exemplo, não dá mais recursos para famílias maiores e isso poderia ser feito usando a informação do Cadastro Único. As famílias menores têm renda per capital mais alta — observa Neri.

Outro estudioso do problema da desigualdade, o professor da PUC/RJ e economia-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, observa que não é surpresa que a pobreza tenha aumentado em todos os lugares do país, inclusive nas capitais.

— Não é surpreendente que tenha havido maior aumento de pobreza nas capitais do que no interior. Mas este (aumento da pobreza) é um fenômeno mundial. Em Nova York, por exemplo, cresceu muito o total de pobres. No Brasil, o PIB caiu quase 5% e a força de trabalho encolheu 15% na pandemia — explica Camargo.

Para 2023, se o novo governo decidir manter em definitivo o Auxílio Brasil em R$ 600, terá que ter uma fonte de receita.

Informações de O Globo

DÊ SUA OPINIÃO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

#PUBLICIDADE#

Mais Lidas

Pesquisa OPUS: João Azevedo cai e Pedro encosta. Nilvan e Veneziano empatam

Pesquisa do Instituto Opus, contratada pelo Portal da Capital, traz os primeiros números do atual cenário da corrida eleitoral...

Instituto Opus: Ricardo Coutinho lidera primeira pesquisa para o senado na Paraíba; Efraim cresce

Pesquisa do Instituto Opus, contratada pelo @portaldacapital, traz os primeiros números da Paraíba sobre a disputa ao Senado Federal. O levantamento realizou mil entrevistas...

Debate na Paraíba: Pedro Cunha Lima é o nome mais buscado na web durante o primeiro debate entre candidatos ao Governo

O primeiro debate para o Governo da Paraíba das Eleições 2022, realizado na noite deste domingo (7), trouxe à tona a forte disputa dos...

DATAVOX: João Azevêdo lidera com 40,7% das intenções de voto na 1ª pesquisa para governo da PB em 2022

Realizada em parceria entre o Instituto Datavox e o portal PB Agora, a pesquisa aponta o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) em segundo lugar, com 14,2%. Em seguida vem o senador Veneziano Vital (MDB), com 6,6%, o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) com 5,9%, Nilvan Ferreira (PTB) com 3,2% e a vice-governadora do estado, Lígia Feliciano (PDT) com 1%. Indecisos somam 20,3%, enquanto brancos e nulos representam 8,1%.

ENQUETE F5: Ricardo Coutinho lidera preferência na disputa ao Senado pela Paraíba

Enquete realizada pelo portal F5 Online sobre intenção de voto para os candidatos ao Senado na Paraíba mostra o ex-governador Ricardo Coutinho (PT) na...
#PUBLICIDADE#

ACHAMOS QUE VOCÊ VAI GOSTAR

#PUBLICIDADE#