
Quando o Carnaval toma as ruas, é comum pensar em multidões, som alto e horas de festa. Mas a folia tem ganhado novos rostos, alguns ainda de colo, outros com décadas de histórias para contar. Em São Paulo e em Nova Friburgo, iniciativas voltadas para bebês e idosos mostram que é possível ampliar a participação sem perder o ritmo, e ainda transformar inclusão em negócio.
Na capital paulista, a ideia surgiu de uma experiência pessoal. O empresário Diogo Rios queria levar o filho de 11 meses ao Carnaval, mas com segurança. Adaptou um berço e foi para a rua. O vídeo da cena rodou as redes sociais e acabou virando o ponto de partida para um bloco voltado à primeira infância.
Hoje, o evento reúne cerca de 10 mil pessoas. A estrutura inclui fraldário, espaço de amamentação, controle no volume do som, pulseiras de identificação e escolha de trajetos com sombra. O investimento inicial foi de R$ 150 mil, e a receita vem de patrocínios e parcerias com empresas do setor infantil. No mês de Carnaval, o faturamento pode chegar a R$ 70 mil. Embora seja gratuito, o bloco também funciona como vitrine para outros projetos pagos realizados ao longo do ano.
No interior do Rio de Janeiro, em Nova Friburgo, a proposta ganhou outro público. A psicopedagoga e geronmotricista Beatriz Rimes criou um bloco dedicado a idosos após perceber, no trabalho com estimulação cognitiva em uma instituição de longa permanência, o desejo deles de voltar às ruas na época da folia.
A primeira edição, em 2025, colocou os próprios idosos como protagonistas. O desfile contou com voluntários para auxiliar na locomoção, pontos de água filtrada, áreas de descanso e trajeto planejado para evitar desgaste. A instituição parceira acompanha o evento com uma van de apoio.
O resultado apareceu também fora da avenida. Depois do bloco, a clínica de Beatriz registrou aumento de cerca de 150% na procura por serviços ligados à estimulação cognitiva e ao envelhecimento saudável.
“Envelhecer é obrigatório, mas ficar velho é opcional”.