
O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou que a inteligência artificial (IA) já alcançou o nível de aprendizado humano, considerado por muitos o próximo grande passo da tecnologia.
Em entrevista ao cientista da computação Lex Fridman, ele disse que já é possível que uma IA seria capaz de comandar uma empresa de US$ 1 bilhão e executar tarefas como encontrar clientes, realizar vendas e gerenciar funcionários em uma empresa. “Acho que agora é a hora. Acho que alcançamos a inteligência artificial geral [AGI, na sigla em inglês]”, declarou. “É possível. E a razão é a seguinte: você disse [uma empresa de] um bilhão, não disse para sempre”.
Como exemplo, citou o agente de IA OpenClaw, que automatiza atividades como gerenciar e-mails, ler contratos, enviar mensagens e controlar dispositivos. “Não é impossível [imaginar] que um usuário do OpenClaw tenha conseguido criar um serviço web, um aplicativo interessante que, de repente, bilhões de pessoas usaram por 50 centavos e, então, tenha falido pouco tempo depois”
Huang afirmou que pessoas já estão criando agentes de IA e ganhando dinheiro, mas isso não garante empresas grandes. “Não me surpreenderia se acontecesse algo nas redes sociais […] se tornasse um sucesso instantâneo […] e depois some”. Ele acrescentou: “Agora, a probabilidade de 100 mil desses agentes criarem a Nvidia é 0%”.
Especialistas contestam essa visão. O professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Álvaro Machado Dias, disse que é exagero dizer que IAs conseguem ou estão perto de gerir grandes empresas, embora aumentem a produtividade. “É exagero dizer que [IAs] podem ou estão perto de conseguir gerir empresas grandes, mas é fato que podem torná-las muito mais produtivas e lucrativas. É nesse sentido que Jensen Huang diz que já atingimos a AGI”
Segundo ele, a IA ainda não realiza tarefas simples para humanos, como dirigir em áreas não mapeadas ou atuar em ambientes desorganizados. “O caráter ‘geral’ dessa inteligência exigiria que ela soubesse fazer coisas mais simples também”, explicou. “Cada vez mais, o que nos separa da AGI não é o complexo, mas o que nos parece quase trivial”
Hoje, a IA executa tarefas específicas, mas ainda não aplica conhecimento de forma geral. Sobre isso, Esther Luna Colombini, professora do Instituto de Computação da Unicamp, afirmou: “Nós temos muita dificuldade de falar sobre essa inteligência artificial geral, porque ainda não conseguimos nem definir exatamente o que é inteligência”.
Segundo ela, as máquinas já superam humanos em muitas atividades, mas não necessariamente são mais inteligentes.
“Ao mesmo tempo, elas são muito ruins para fazer coisas que pra gente parecem triviais, como reconhecer a face de uma pessoa, ou ser capaz de pegar um conceito que você aprendeu e levar isso para outro cenário”.
A inteligência artificial geral também teria a capacidade de reconhecer o que ainda não entende e, a partir disso, buscar maneiras de se aprofundar nessas lacunas. Com isso, as máquinas poderiam executar tarefas que hoje são impossíveis, por dependerem de ideias elaboradas por humanos.
Com informações do G1