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Cheiro no metaverso: uma realidade virtual cada vez mais próxima

Empresas apostam no campo de inovação OVR, abreviação em inglês para tecnologia de realidade virtual olfativa

Imagine assistir a um filme e poder sentir os cheiros do que se passa do outro lado da tela? É o que empresas estão desenvolvendo com foco no metaverso, ambientes virtuais imersivos. Esse campo de inovação tem sido chamado de OVR, abreviação em inglês para tecnologia de realidade virtual olfativa.

A empresa OVR Technology, criada com o propósito de tornar isso realidade, investe no desenvolvimento do ION, óculos para realidade virtual pré-carregado com nove compostos químicos, que se combinam para produzir centenas de aromas, liberados por meio de pistas programadas digitalmente, segundo informações do site FastCompany. O objetivo é lançar uma versão para o público consumidor em 2023.

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“O cheiro tem um efeito profundo sobre quem somos, como nos sentimos, o que fazemos, o que compramos, quem amamos. É fundamental que o perfume faça parte do desenvolvimento do metaverso… ou estamos limitando completamente o potencial”, afirma Aaron Wisniewski, presidente-executivo da companhia.

O processo, porém, é complexo e complicado, observa Wisniewski. “Infelizmente, não há um RGB de cheiro”, diz o executivo, fazendo referência ao sistema de cores primárias (vermelho, verde e azul) usado como padrão em TV, computadores, câmeras, entre outros dispositivos.

Como os óculos funcionariam?

A empresa quer desenvolver um plug-in capaz de atualizar o sistema dos óculos para deixá-los compatíveis com as plataformas de gráficos visuais Unity e Unreal, bastante usadas no desenvolvimento de games de grandes estúdios e também por desenvolvedores independentes.

Os cheiros seriam integrados ao objeto físico e sentidos pelo usuário enquanto ele está imerso nos ambientes do metaverso.

Em Los Angeles, veteranos com transtorno de estresse pós-traumático experimentam os aromas da OVR através do tratamento de terapia de exposição à realidade virtual dentro dos laboratórios do Instituto de Tecnologias Criativas da Universidade do Sul da Califórnia, de acordo com a empresa.

Esses cheiros são especialmente difíceis de replicar; para recriar a fumaça das armas, por exemplo, você precisa imitar o dióxido de enxofre, um gás tóxico cuja fabricação é ilegal. “Temos que descobrir uma solução alternativa usando moléculas que sejam análogas, mas seguras de usar”, diz Wisniewski. “O cheiro é essa sopa caótica de moléculas.”

Outros projetos

A tecnologia OVR já está sendo utilizada em ambientes terapêuticos. Um exemplo é a Ascendant New York, uma clínica de transtorno de substâncias que custa por dia US$ 3.500 (o equivalente a R$ 17.124,80). Ela oferece aos pacientes meditações guiadas por meio do Inhale Wellness.

Essa plataforma foi lançada em novembro de 2021 e transporta os usuários para um ambiente natural, emitindo rajadas de cheiro de 0,1 milissegundos em relação às interações na realidade virtual, segundo a reportagem.

No Reino Unido, há a OW Smell Digital, que arrecadou US$ 1,2 milhão (o equivalente a mais de R$ 5,8 milhões) para desenvolver um “Photoshop para cheiro” baseado em IA (Inteligência artificial) e acessível pela nuvem.

Na Espanha, a Olorama Technology desenvolveu uma biblioteca de 400 aromas (as fragrâncias incluem “confeitaria”, “mojito” e “terra molhada”) entregues através de caixas de liberação de aromas, muitas das quais podem ser ativadas por voz pelo usuário.

Também está disponível um kit de cheiro de teste covid-19. O produto de luxo da Olorama, uma unidade de 40 aromas, custa a partir de US$ 13.408,00 (R$ 65.602.64,60).

Outro produto no mercado do “perfume digital” é o desenvolvido pela Hypnos Virtual com sede no Arkansas, nos Estados Unidos. A empresa possui um nebulizador conectado ao hardware, pré-carregado com aromas coletados por meio de um processo de difusão a frio para manter a pureza dos ingredientes.

Um software combina os aromas, com base em entradas de dados, e os libera em momentos selecionados, escolhidos por meio de inteligência artificial.

Apesar do aspecto inovador, por trás de cada empresa incipiente está o legado de startups do passado que descontinuaram projetos parecidos.

Uma máscara de realidade virtual multissensorial, por exemplo, teve financiamento coletivo da Feelreal e foi aclamada em 2015. Porém, deixou de operar em 2020 (em parte devido a leis de vaping —cigarro eletrônico— com sabor), deixando para trás uma série de investidores insatisfeitos.

A empresa Vaqso, com sede em Tóquio, é outro exemplo. Ela arrecadou US$ 600.000 em 2017 por um combo de cartucho e ventilador para reproduzir cheiros. Mas não atualiza seu site há anos.

Tilt UOL

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