
Os tradicionais números musicais da gala do Ano Novo Lunar na China dividiram espaço este ano com robôs humanoides executando sequências de artes marciais em horário nobre da TV.
A apresentação foi exibida pela emissora estatal CCTV, responsável pelo espetáculo anual do Festival da Primavera — programa que costuma reunir audiência comparável à do Super Bowl nos Estados Unidos.
No palco, os robôs deram saltos, fizeram movimentos de costas, simularam combates com espadas e bastões e até encenaram o chamado “boxe bêbado”, estilo marcado por gestos cambaleantes e quedas estratégicas. Em alguns momentos, pareciam perder o equilíbrio, mas se levantavam rapidamente.
Os humanoides da Unitree lideraram a performance principal. Outras empresas também participaram do espetáculo. A Noetix colocou robôs em um quadro de humor ao lado de atores, enquanto a MagicLab levou máquinas para dançar sincronizadas com artistas.
A inteligência artificial também teve espaço: o chatbot Doubao, desenvolvido pela ByteDance, apareceu em um dos momentos do programa.

Mais do que entretenimento, a apresentação foi interpretada como um recado. A gala da CCTV há anos funciona como vitrine dos avanços tecnológicos do país — do programa espacial aos drones. Agora, a robótica ganha protagonismo.
A China hoje responde por cerca de 90% das vendas globais de robôs humanoides, segundo dados da consultoria Omdia. A expectativa é que o número de unidades comercializadas no país mais que dobre neste ano.
O avanço chinês já é observado por concorrentes. Elon Musk, da Tesla, que desenvolve o robô humanoide Optimus, afirmou recentemente que espera forte competição das empresas chinesas no setor.
Ao colocar robôs “lutando” artes marciais no maior palco televisivo do país, Pequim transforma uma celebração cultural em demonstração pública de ambição tecnológica.