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China reage a tarifa dos EUA com retaliação de 34% sobre importações americanas
04/04/2025 / 15:01
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – Foto: Carlos Barria/Reuters

A China anunciou que imporá tarifas adicionais de 34% sobre importações dos EUA em retaliação às tarifas do mesmo valor reveladas pelo presidente Donald Trump esta semana como parte de sua agressiva agenda comercial.

O Ministério do Comércio disse na sexta-feira (4) que a tarifa será imposta a todos os bens importados originários dos EUA a partir de 10 de abril.

As tarifas sobre exportações chinesas devem subir para mais de 60% depois que o presidente dos EUA anunciou tarifas “recíprocas” de 34% que se somam às tarifas existentes.

Pequim denunciou as novas tarifas dos EUA como “uma típica ação de intimidação unilateral” que “não está em conformidade com as regras do comércio internacional e prejudica seriamente os direitos e interesses legítimos da China”.

Os preços do petróleo caíram acentuadamente após o anúncio chinês, em decorrência do temor de que uma guerra comercial limite o crescimento econômico global.

O Brent, referência internacional, caiu 7,3% no meio da manhã em Nova York, para US$ 65 (R$ 377,64) por barril, enquanto o WTI, seu equivalente nos EUA, caiu 8,1%, para US$ 61,65 (R$ 358,17).

Na sexta-feira, o Goldman Sachs reduziu sua meta de preço para o ano para o Brent em US$ 5, para US$ 62 por barril, e alertou que “a volatilidade dos preços provavelmente permanecerá elevada devido ao maior risco de recessão”.

AÇÕES GLOBAIS AMPLIAM PERDAS NESTA SEXTA

As ações globais ampliaram suas perdas na sexta-feira após uma venda brutal na quinta-feira desencadeada pela blitz tarifária de Donald Trump.

O mau humor cresceu ainda mais depois que a China anunciou tarifas retaliatórias aos EUA.

As ações dos EUA caíram já nas primeiras negociações, e caminham para a maior perda semanal em cinco anos. O S&P 500 caiu 4,1% durante a manhã, após ter registrado a pior perda diária desde 2020, de 4,8%, na quinta-feira. O índice composto Nasdaq, de alta tecnologia, caiu quase 3%.

A manhã é de perdas generalizadas, com bancos e empresas de energia entre os mais afetados. O índice KBW Bank, uma das medidas mais amplamente acompanhadas do desempenho do setor bancário dos EUA, perdeu 7,1%, com Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley caindo mais de 6%.

As empresas de energia GE Vernova, Constellation Energy e Vistra caíram mais de 11% à medida que os preços do petróleo despencaram. No meio da manhã em Nova York, 469 das ações constituintes do S&P 500 estavam em território negativo.

Empresas com exposição à China caíram amplamente, com gigantes como a Apple caindo 4,7%, Nvidia perdendo 3,4% e Amazon despencando 6%. As ações da varejista Nike e da Caterpillar, que fabrica equipamentos de construção, caíram cerca de 5%. Empresas chinesas listadas nos EUA também despencaram, com JD.com e Alibaba caindo quase 8,5% cada e Baidu recuando 7,6%.

O índice Stoxx 600, referência da Europa, despencou 4,4% nas negociações do final da manhã em Londres, enquanto o FTSE 100 caiu 2,6%. O Dax da Alemanha recuou 4,8%. A Bolsa brasileira acompanha a tendência internacional, derretendo cerca de 3% e com quase todas as empresas da carteira teórica do índice Ibovespa no negativo.

O dólar caiu 0,3% em relação a uma cesta de moedas. No Brasil, por outro lado, a moeda americana disparou 2%.

Os mercados asiáticos também caíram. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, fechou em baixa de 2,75%, registrando uma queda de 9% na semana, seu maior declínio semanal desde março de 2020. Durante a sessão, o índice também atingiu seu menor nível desde o início de agosto.

O índice bancário caiu mais de 8% na capital japonesa nesta sexta, registrando uma queda de 20% na semana, seu pior desempenho semanal já registrado, de acordo com dados da LSEG. As ações de bancos japoneses têm ganhado popularidade entre os investidores que apostam no aumento dos juros pelo Banco do Japão.

As Bolsas da China não abriram em virtude de feriado. No entanto, os contratos futuros que acompanham o Índice FTSE China A50 caíram cerca de 2,5% em Singapura. Já o índice S&P/ASX 200 da Austrália caiu 2,4%, e o Kospi da Coreia do Sul sofreu perda de 0,9%.

Os rendimentos dos títulos do governo caíram à medida que os investidores procuravam ativos de refúgio, com o Tesouro dos EUA de 10 anos caindo para 3,94%. Os rendimentos dos títulos do governo japonês de 10 anos caíram 0,19 pontos percentuais para 1,16%.

Um relatório do Departamento do Trabalho desta sexta, que era amplamente esperado pelos investidores, mostrou que a economia dos EUA criou muito mais empregos do que o esperado em março, mas as amplas tarifas de importação de Trump podem testar a resiliência do mercado de trabalho nos próximos meses.

As folhas de pagamento não-agrícolas aumentaram em 228 mil empregos no mês passado, enquanto os economistas previam um avanço de 135 mil.

O presidente do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA), Jerome Powell, fará um discurso no final da manhã nos EUA. Os mercados futuros estão precificando quatro cortes de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros do Fed até o final deste ano, em comparação com os três que eram esperados antes do anúncio das tarifas na quarta-feira.

BRASIL SE ARMA PARA RETALIAÇÃO, MAS DEVE TENTAR NEGOCIAÇÃO

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se arma para uma eventual retaliação comercial contra as tarifas adicionais anunciadas por Donald Trump, mas, antes de seguir pelo caminho mais drástico, pretende insistir em negociações com os Estados Unidos para tentar derrubar barreiras contra o aço e o alumínio brasileiros.

A ideia do governo é atuar em duas frentes. De um lado, enviar sinais públicos de que tem meios para retaliação e está disposto a adotar contramedidas caso seja necessário. De outro, avaliar o real impacto do tarifaço sobre as exportações brasileiras, mapear possíveis oportunidades e insistir nos contatos bilaterais para abrir cotas nas vendas de aço e alumínio.

Com Financial Times e Folha de São Paulo