
O prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), rebateu nesta quinta-feira (5), em coletiva de imprensa após a sessão de abertura do ano legislativo da Câmara Municipal, as declarações do governador João Azevêdo (PSB), que afirmou, em entrevista a uma emissora de rádio, estar magoado com a saída do prefeito do grupo governista para disputar o Governo da Paraíba em 2026.
Na entrevista, João Azevêdo disse que Cícero teria sido ouvido internamente antes da definição do nome que passou a ser tratado como sucessor no grupo político e classificou como equivocada a decisão do prefeito de romper com a base aliada, destacando a relação política construída ao longo dos últimos anos.
Ao comentar o assunto após a sessão, Cícero negou essa versão e afirmou que não houve diálogo nem critérios claros para a escolha do candidato governista, sustentando que foi excluído do processo.
“Não me botaram na mesa, não estabeleceram critérios. Simplesmente impulsionaram um candidato”, afirmou.
O prefeito também inverteu o discurso de mágoa apresentado pelo governador e disse que o sentimento de decepção poderia ser maior do seu lado, ao citar sua posição nas pesquisas eleitorais.
“Quem está em primeiro lugar nas pesquisas sou eu. Então, quem teria mais motivo para estar magoado?”, questionou.
Cícero ainda avaliou que a forma como a sucessão vem sendo conduzida pode gerar reação negativa da população.
“O povo não vai ficar chateado comigo, mas com quem optou pela imposição, e não pela escolha de alguém com experiência e história”, declarou.
Ao final, o prefeito reforçou que sua pré-candidatura tem como foco um projeto de gestão para o Estado.
“Quero cuidar da Paraíba e do que é mais importante para o povo”, concluiu.
O embate público evidencia o racha político entre antigos aliados e amplia a disputa de narrativas em torno da sucessão estadual de 2026. Enquanto o governador fala em mágoa e frustração com a saída do prefeito do grupo, Cícero sustenta que foi excluído do processo decisório e nega ter sido ouvido antes da definição do candidato governista.