
Edson Panes
Entre os dias 2 e 7 de fevereiro de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) realizou seu Encontro Nacional em Salvador, Bahia, celebrando 46 anos de história e definindo suas estratégias para as eleições presidenciais deste ano. Além de reforçar posicionamentos históricos, como a defesa da soberania nacional e a ampliação dos direitos sociais, o evento destacou um ponto crucial: a comunicação. O partido sinalizou que a forma como se relaciona com o eleitorado será um dos componentes mais decisivos no cenário eleitoral de 2026.
Como especialista em marketing político, apresento aqui uma análise das diretrizes comunicacionais adotadas pelo PT e o que podemos esperar para sua estratégia de pré-campanha, à luz do que foi discutido no evento em Salvador.
Um dos principais destaques do Encontro Nacional foi o foco em modernizar a comunicação nas redes sociais. O PT reconheceu que precisa alcançar públicos mais jovens e periféricos que, embora tradicionalmente aliados, vêm perdendo conexão com o partido. Para isso, a estratégia inclui:
Este movimento evidencia que o partido está atento às mudanças na dinâmica de comunicação política, onde o espaço digital tem um peso crescente na formação de opinião do eleitorado.
Reconhecendo o papel transformador dos influenciadores digitais no debate político, o PT intensificou sua relação com criadores de conteúdo. Foram realizadas reuniões com mais de 200 influenciadores para alinhar estratégias e fortalecer discursos.
A campanha do PT deverá focar em temas como:
Esta abordagem descentralizada permite ao PT atingir bolhas sociais diferenciadas, extrapolando os limites de sua militância tradicional e criando eco nas vozes de influenciadores, que possuem credibilidade com seus públicos específicos.
Durante o encontro, foram promovidas reuniões com os secretários de comunicação dos 26 estados para garantir que o discurso do partido siga uma narrativa coesa. O foco estará em:
O alinhamento de mensagens é particularmente importante para evitar dissonâncias regionais em uma campanha nacional. Este movimento reflete a maturidade do PT em compreender que consistência na comunicação fortalece sua narrativa política.
O partido também contará com o papel da Fundação Perseu Abramo, think tank responsável por elaborar conteúdos ideológicos e educar a militância. Isso inclui:
Esperamos que o PT explore fortemente as diferenças de posicionamento ideológico em relação a seus adversários, sem abrir mão de apresentar propostas concretas que mostrem como implementar essas ideias na prática.
A escolha de Salvador para sediar o Encontro Nacional não foi aleatória. Governada por Jerônimo Rodrigues (PT), a Bahia é uma vitrine do modelo de gestão petista, com investimentos em programas sociais e ampla coligação política. A cidade será utilizada como exemplo positivo nos conteúdos da pré-campanha, destacando conquistas que o partido pretende replicar a nível nacional.
O apelo simbólico do Nordeste, especialmente no que diz respeito ao papel do eleitorado nordestino na última década, será um dos pilares das narrativas eleitorais em 2026.
Fica claro que o PT está disposto a apostar em inovação para a comunicação de 2026, combinando novas ferramentas tecnológicas com estratégias orgânicas que já demonstraram eficácia no passado. Enquanto o partido reforça seu histórico de luta por direitos sociais, está também atento à necessidade de capturar a atenção de um público mais conectado e dinâmico.
Porém, a modernização comunicacional exigirá esforços cuidadosos para não alienar um eleitorado mais tradicional. O desafio será utilizar a tecnologia e as novas plataformas sem perder o legado históricoque consolidou o Partido dos Trabalhadores como um dos maiores da América Latina.
Se bem executada, essa estratégia pode definir mais do que eleição de 2026: ela garantirá um futuro onde o PT continuará a influenciar o cenário político brasileiro.