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Dia dos Pais: inteligência natural e a inteligência artificial
13/08/2023 / 11:31
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Nos últimos dias, a proximidade com a data de hoje, Dia dos Pais, inúmeras ações de marketing e comunicação me encheram de emoção, me fizeram lembrar de campanhas de outros anos, mas também provocaram novas reflexões sobre o assunto favorito dessa coluna, sim, a inteligência artificial (IA). Você pode estar se perguntando, mas o que tem a ver o Dia dos Pais com a inteligência artificial generativa. Explico.

Dessa vez, vou usar esse espaço para fazer um contraponto à inteligência artificial, trazendo um termo que vem sendo cunhado em inúmeros artigos de pensadores sobre o assunto, a inteligência natural.

Contudo, para isso e para linkar à comemoração de hoje, vamos primeiro às emoções que os filmes publicitários nos brindam ano a ano até chegarmos ao cerne da reflexão que trago hoje destacada no título. Antes, abstraia o fato de que essas campanhas, claro, querem nos vender produtos e marcas; depois clique nos links abaixo e se deixe levar pela emoção, emoção real, natural que os filmes trazem.

Desde provocar o tempo, mais presença e convivência, como a campanha da marca Reserva  “presente de verdade é estar junto“; ou lembrar o significado mais importante de influência, do primeiro influenciador, na ação da Natura neste ano; ou a inclusiva e ainda, infelizmente, ousada ação da Natura em 2020 com o ator transexual Thammy Miranda; ou a reivindicadora  campanha do Boticário “Instinto Paterno” que retrata de forma sutil os primeiros seis dias na vida de um pai, provocando discussão sobre licença parental; ou o “jeitinho” de cada pai no filme do Mercado Livre; ou ainda a linda estética sentimental da campanha da Vivo que estimula a tirar das telas dos celulares os registros de emoções vividas em família, para citar alguns exemplos.

É bom que se diga que mesmo os filmes acima provocam emoções não tão boas, digamos assim, desde ameaça de boicote a produtos por quem ainda não entendeu que amor é universal, até alta na cotação das ações da empresa na Bolsa de Valores.

O Mas o foco aqui está nas emoções que o amor incondicional entre pais e filhos suscitam. A essa altura já perceberam a provocação que trago hoje. No fundo, esse é um artigo (quase emocionado, quase um chamado) para dizer que para a inteligência artificial vale aquela máxima do veneno, que se define como tal dependendo da dosagem.

A velocidade das transformações tecnológicas, os modelos de negócio inovadores e decorrentes principalmente da chegada avassaladora da inteligência artificial tem zilhões de benefícios. Sugiro que façam uma pesquisa rápida sobre as infinitas possibilidades da IA na saúde ou na educação, para dar dois exemplos em áreas nevrálgicas no atual cenário brasileiro. É, de fato, sensacional.

Por outro lado, a inteligência artificial tem nos atropelado e afetado, impactando nosso comportamento, nos impelindo a novos padrões de ação muito diferente das dinâmicas que funcionavam anteriormente e nos impondo desafios que nem sabemos quais são. Como nunca vivenciamos na história da humanidade mudanças tão estruturais e principalmente tão rápidas, corremos o risco de perder referências, criatividade, nos acomodando em um nova ordem sobre tudo, inclusive nos relacionamentos.

Cabe a nós, portanto, prestar muita atenção, cada um em sua área profissional e comunidades que participa, com alguns riscos já amplamente identificados a partir da popularização da inteligência artificial, como falta de transparência em processos, reprodução de preconceitos e discriminação, dilemas éticos, ainda mais concentração de poder, dependência, desigualdade econômica, desafios legais e regulatórios, nova corrida armamentista, desinformação e manipulação.

Bernard Marr, autor best-seller internacional, futurista e consultor estratégico de negócios em tecnologia para governos e empresas, acrescentou aos riscos acima dois pontos importantíssimos e que nos conecta novamente neste ponto do artigo ao cerne da minha reflexão.

Segundo ele, a inteligência artificial pode causar a perda da conexão humana, levando a diminuição da empatia e das habilidades sociais e sugere que, para preservar a essência de nossa natureza social, devemos nos esforçar para manter um equilíbrio entre tecnologia e interação humana.

Bernard Marr vai um pouco mais além e coloca na lista os riscos existenciais. De acordo com o autor, o desenvolvimento da inteligência geral artificial (AGI) que supera a inteligência humana, levanta preocupações de longo prazo para a humanidade. A perspectiva da AGI, que já é muitos passos à frente da inteligência artificial, pode levar a consequências não intencionais e potencialmente catastróficas, pois esses sistemas avançados de IA podem não estar alinhados com os valores ou prioridades humanos.

Fica muito claro, então, que cabe a cada um de nós, sobretudo, atuar fortemente para proteger nossas mais puras emoções, nossas relações sociais, nossos afetos. Tomemos, portanto, altas doses de emoções, de amor fraterno, solidário, de empatia, de forma simples, abusando da inteligência natural. E usemos a inteligência artificial com cuidado, ética e sem perder de vista o que realmente importa, o que realmente nos faz humanos e especiais.

A todos os pais envio um forte e especial abraço com desejo que as melhores emoções transbordem em todos neste domingo. Um carinho especial às pães (sic), mulheres que lutam em dobro no papel de mães e pais, mas também se emocionam em dobro, infinito.