Cozinhar em casa pode reduzir risco de demência em idosos
28/03/2026 / 13:00
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Foto: Reprodução

Cozinhar em casa ao menos uma vez por semana pode reduzir o risco de demência, segundo um estudo publicado no Journal of Epidemiology & Community Health. A pesquisa indica que, entre idosos, a prática está associada a uma redução no risco da doença por até 30%, chegando a 70% entre aqueles que começam a cozinhar com pouca habilidade.

Contextualização do estudo

Demência é uma condição associada ao declínio cognitivo progressivo que afeta principalmente a população idosa. Atividades que envolvem estímulo cognitivo e físico têm sido avaliadas em pesquisas para entender seu papel na prevenção ou retardamento dessa doença. Até o momento, este é o primeiro estudo que relaciona especificamente a frequência de cozinhar com a diminuição dos casos de demência.

Metodologia e resultados

Os pesquisadores analisaram dados de quase 11 mil participantes com 65 anos ou mais do Japan Gerontological Evaluation Study. Os idosos responderam questionários sobre a frequência com que preparavam refeições do zero em casa e sobre o nível de habilidade culinária. Cerca de metade cozinhava pelo menos cinco vezes por semana, enquanto um quarto nunca cozinhava.

A análise revelou que cozinhar pelo menos uma vez por semana se associou a um risco 23% menor de demência em homens e 27% menor em mulheres, comparado a não cozinhar. Entre pessoas com poucas habilidades culinárias, a redução do risco chegou a 67%.

Possíveis explicações

Os autores do estudo destacam que cozinhar envolve atividade física, como ir às compras e preparar alimentos, que podem contribuir para o benefício observado. Quando fatores relacionados a movimentação física foram considerados, a associação diminuiu, indicando que parte do efeito pode estar ligada ao exercício.

Além disso, cozinhar atua como um estímulo cognitivo, principalmente para iniciantes, pois representa uma atividade nova que pode fortalecer a reserva cognitiva, segundo os pesquisadores.

Limitações e recomendações

Embora os resultados sejam promissores, o estudo é observacional e não estabelece causalidade. Há limitações como a possível subnotificação de casos leves de demência e a classificação imprecisa das habilidades culinárias.

Os pesquisadores recomendam mais estudos para identificar os mecanismos específicos pelos quais cozinhar pode impactar a redução do risco de demência. Eles sugerem que incentivar a prática culinária em idosos pode ser uma estratégia importante na prevenção da doença.