
Os investimentos em despoluição de praias e rios na Paraíba têm potencial para gerar até R$ 1,7 bilhão à economia do estado entre 2025 e 2040, segundo estudo do Instituto Trata Brasil. A análise relaciona esses recursos principalmente ao fortalecimento do turismo e à ampliação do acesso à água tratada.
O retorno médio estimado ultrapassa R$ 108 milhões por ano no período analisado. O impacto econômico está ligado à melhora das condições ambientais de praias, rios e córregos, além da redução do lançamento de esgoto sem tratamento, elementos considerados essenciais para a manutenção do fluxo turístico na região.
A presidente executiva do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, afirma que a qualidade ambiental influencia diretamente a experiência dos turistas. Ela destaca que o contato com água fora dos padrões ou com esgoto bruto pode desencadear problemas de saúde e afastar visitantes.
“A partir do momento em que ele toma uma água que não está dentro dos padrões de qualidade, em que ele tem contato com esgoto bruto ao realizar atividades recreativas, há uma chance grande de ter doenças de veiculação hídrica. Isso prejudica as férias desse turista e faz com que ele não queira retornar”, explicou Pretto.
De acordo com o estudo, cerca de 245 milhões de litros de esgoto doméstico ainda são despejados diariamente sem tratamento em rios e praias do estado.
João Pessoa concentra 45,3% dos resultados econômicos estimados, seguida por Campina Grande, que representa 26,5%. Nesse contexto, a professora de turismo e hotelaria da Universidade Federal da Paraíba, Denise Gadelha, ressalta que as áreas preservadas valorizam o estado e funcionam como diferencial competitivo.
“Temos atrativos turísticos preservados, a exemplo da orla de João Pessoa, onde as construções são mais baixas e isso melhora a ventilação da cidade. Só existe turismo quando existe preservação; se não, o visitante encontra mais do mesmo”, afirmou a professora.