
O diabetes tipo 5 é uma nova categoria da doença reconhecida pela Federação Internacional do Diabetes (FID) em abril de 2025. Essa forma, que geralmente atinge jovens gravemente abaixo do peso e pode surgir após longos períodos de desnutrição, tem gerado debate entre cientistas e médicos. A Organização Mundial da Saúde (OMS), no entanto, ainda não reconhece essa categoria por considerar que não existem evidências suficientes para classificá-la como distinta.
Diferentemente do diabetes tipo 1, em que o corpo deixa de produzir insulina, e do tipo 2, caracterizado por resistência à insulina, o tipo 5 está associado à subnutrição crônica, que prejudica o desenvolvimento do pâncreas e reduz a produção do hormônio. Pacientes podem produzir insulina, porém em quantidade insuficiente e ainda apresentar uma sensibilidade incomum ao medicamento, o que pode tornar os tratamentos convencionais inadequados e perigosos.
O diabetes tipo 5 é mais comum em regiões da Ásia e da África subsaariana onde a desnutrição infantil é prevalente, mas também tem sido identificado em outras partes do mundo entre pessoas magras. Estima-se que até 25 milhões de pacientes podem ter essa condição, e equívocos de diagnóstico podem levar a tratamentos inapropriados, inclusive com o uso excessivo de insulina.
A OMS classificou o diabetes relacionado à desnutrição na década de 1980, mas retirou essa categoria oficialmente em 1997 devido à falta de consenso. O debate sobre o diabetes tipo 5 envolve a necessidade de critérios diagnósticos claros, que atualmente não existem, dificultando a confirmação do diagnóstico e orientações específicas de tratamento.
A FID, apoiada por estudos publicados na revista The Lancet, formou um grupo de trabalho para desenvolver critérios de diagnóstico e protocolos terapêuticos para a nova categoria. O órgão defende que seu reconhecimento favorece o ajuste do tratamento para esses pacientes.
Noella Mukumbi, da República Democrática do Congo, foi diagnosticada inicialmente com diabetes tipo 1 em 2023, porém apresentou reações adversas às doses padrão de insulina. Após reavaliações, recebeu o diagnóstico provável de tipo 5 e teve seu tratamento ajustado, com redução da insulina e uso de metformina. Ela relata melhora significativa em sua saúde.
Especialistas alertam para a necessidade de maior financiamento e pesquisa, especialmente em regiões afetadas por pobreza, guerra e insegurança alimentar, para evitar que o diabetes tipo 5 se torne um problema de saúde pública mais grave.