Dieta pode ajudar a prevenir e tratar o melasma no rosto
07/04/2026 / 13:27
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Foto: Freepik

O melasma, caracterizado por manchas escuras em formato de borboleta na face, é uma condição comum de hiperpigmentação que atinge principalmente mulheres em regiões de alta exposição solar, como o Brasil. Essas manchas afetam a autoestima e podem persistir mesmo com tratamentos dermatológicos e fotoproteção rigorosa.

Historicamente, o melasma foi atribuído à exposição solar, alterações hormonais e predisposição genética, sendo mais frequente em fases de variações hormonais como gravidez e uso de anticoncepcionais. No entanto, pesquisas recentes incluem outros fatores biológicos, como inflamação, estresse oxidativo e alterações metabólicas, que influenciam a atividade dos melanócitos, células responsáveis pela produção da melanina.

Mecanismos biológicos e fatores envolvidos

Estudos indicam que a ativação de mastócitos e o aumento de substâncias inflamatórias, como a histamina, contribuem para o agravamento da hiperpigmentação. A poluição ambiental, que aumenta os radicais livres e prejudica a barreira cutânea, também está associada ao surgimento do melasma. O estresse oxidativo, causado pelo excesso de radicais livres, favorece a inflamação e pode alterar a pigmentação.

Além disso, não se trata apenas da produção aumentada de melanina, mas também da forma como ela é transferida e distribuída entre as células da pele, envolvendo diferentes genes, enzimas e respostas inflamatórias.

A influência da alimentação no desenvolvimento do melasma

Com base nesses novos conhecimentos, pesquisadores têm investigado o papel da alimentação na prevenção e tratamento do melasma. Compostos antioxidantes presentes em alimentos podem modular os processos inflamatórios e metabólicos relacionados à hiperpigmentação.

Polifenóis, como as catequinas do chá verde e os elagitaninos da romã, apresentam propriedades anti-inflamatórias e protegem a pele contra os danos causados pela radiação ultravioleta. Carotenoides como o licopeno, a luteína e a zeaxantina, encontrados em tomates, cenouras e vegetais verdes, também contribuem para a proteção das células cutâneas.

A microbiota intestinal desempenha papel importante, transformando esses compostos em formas bioativas. Padrões alimentares ricos em açúcares, farinhas refinadas e alimentos ultraprocessados podem aumentar a inflamação sistêmica de baixo grau e a resistência à insulina, fatores que contribuem para o melasma.

Além disso, a forma de preparo dos alimentos influencia a formação de produtos finais de glicação avançada (AGEs), que afetam a matriz extracelular da pele e comprometem sua barreira protetora. Cozinhar em temperaturas muito altas, como em frituras e grelhados, eleva a formação desses produtos.

Conclusão e implicações para tratamento

O melasma é uma condição multifatorial que envolve exposição solar, genética, hormônios, inflamação e metabolismo. Os tratamentos geralmente combinam fotoproteção, acompanhamento médico e orientações nutricionais.

Dietas ricas em alimentos vegetais, como as plant-based e mediterrânea, apresentam compostos que favorecem o equilíbrio metabólico e inflamatório relacionado ao melasma. Essas escolhas alimentares também auxiliam no controle de condições associadas, como resistência à insulina e inflamação.

Embora sejam necessários mais estudos, estas descobertas ressaltam a importância da alimentação como parte integrada da prevenção e tratamento do melasma, impactando não apenas a pele, mas o metabolismo do organismo como um todo.