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Em meio à pandemia e desemprego, fábricas de caixões geram vagas de trabalho no país

Aumento desenfreado no número de mortes tem levado fabricantes a contratar mais funcionários para sustentar produção

Em um cenário de pandemia e desemprego recorde, com empresas demitindo funcionários e mães e pais de família sofrendo para colocar comida na mesa, um setor específico no país tem gerado emprego.

Nunca se morreu tanto no Brasil desde que a pandemia de Covid-19 teve início e, com isso, a demanda por caixões aumenta a cada dia. “Ficamos assustados com esse aumento, e isso deve continuar até pelo menos abril. É muito preocupante”, diz Antônio Marinho, presidente da Godoy Santos, em entrevista à BBC Brasil.

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A empresa, que é uma das maiores fabricantes brasileiras de caixões, tem contratado funcionários e aumentado as equipes, na contramão do que se observa em outros setores.

Com um catálogo que tem cerca de 45 modelos, o grupo passou a oferecer apenas 2 para os clientes, na tentativa de acelerar a produção.

Exceções à parte como, por exemplo, as variações sazonais e as mudanças no perfil populacional, o número de óbitos costuma ser relativamente regular e previsível.

A mudança nas estatísticas, no entanto, fez os fabricantes de caixões repensarem suas estratégias de produção.

No início, as funerárias contavam com estoque para dar conta do aumento de enterros, “aí pegou forte a partir de fevereiro (de 2021). Houve um aumento muito grande de pedidos”, diz Leandro Rigon, diretor-executivo das Urnas Rigon, em conversa com a BBC Brasil.

“Claro que tem picos todos os anos, mas nada se compara com isso. Nunca teve algo assim”, relata Leandro, que atua no ramo há 24 anos.

De acordo com a Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), foram quase 1,5 milhão de óbitos entre março de 2020 e fevereiro de 2021.

Este é o recorde do monitoramento desde que começou a ser feito em 2003.

O ano da pandemia teve 31% mais mortes do que a média histórica e fevereiro de 2021, último mês do levantamento, registrou a maior quantidade de mortes da série histórica. Os cartórios no país inteiro emitiram 120 mil novos atestados de óbitos durante o mês.

Renegociação, falta de matéria-prima e funcionários afastados

De acordo com o empresário Leandro Rigon, foi necessário chegar a um acordo com algumas funerárias. Para fracionar e atender todo mundo, as encomendas grandes tiveram que ser renegociadas. “Se um pedir demais, o outro vai ficar sem”, explica.

Outro ponto da questão envolve a falta de matéria-prima para a produção das urnas e caixões, como madeira, compensado, aço, plástico e tecido. Desde o final do ano passado ficou cada vez mais difícil achar os produtos.

“Os fabricantes ainda estão conseguindo atender os pedidos, mas estão reduzindo as entregas. Março deve ser o pior mês e provavelmente vai dar uma melhorada em abril, mas ainda vai ser difícil”, afirma Gisela Adissi, presidente da Associação dos Cemitérios e Crematórios Privados do Brasil (Acembra).

Apesar da alta demanda, o lucro não tem acompanhado o ritmo, dizem os fabricantes. A baixa oferta de materiais e a intensa procura tem feito a matéria-prima encarecer.

Algumas empresas lidam ainda com o alto número de afastamento de funcionários – é o caso da Bignotto, localizada no interior de São Paulo. Com as pessoas ficando doentes, o entra e sai de funcionários na produção aumenta.

O diretor da fábrica, Thomaz Bignotto, calcula que um quinto dos 200 funcionários estão afastados por causa da covid-19, o que fez triplicar o número de contratações.

“Estamos basicamente repondo os afastamentos”, afirma Bignotto à BBC Brasil.

Em relação ao futuro próximo, o diretor acredita que a pandemia do novo coronavírus alterou o ciclo natural de nascimentos e mortes, o que indica dias não muito rentáveis para seu negócio.

“O que está acontecendo agora adiantou as mortes. As pessoas que iam morrer depois estão morrendo agora. Quando acabar a pandemia, vai ter um declínio muito grande”, acredita.

 

 

 

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