
Ao longo de mais de três décadas, o empresário paranaense Izidro Constantino Guedes transformou uma propriedade da família, localizada entre os municípios de Castro e Tibagi, nos Campos Gerais do Paraná, em um verdadeiro refúgio ambiental. Estima-se que ele tenha plantado cerca de 400 mil árvores em uma área de 2,42 milhões de metros quadrados, o equivalente a quase 340 campos de futebol.
As terras ficam na região do Cânion Guartelá, considerado o maior cânion do Brasil e um dos maiores do mundo. Hoje, aproximadamente 70 alqueires da propriedade — cerca de 1,7 milhão de metros quadrados — são ocupados por mata fechada preservada.
Entre as espécies plantadas estão mais de 100 mil araucárias, árvore símbolo do Sul do país e ameaçada de extinção, além de outras espécies nativas como a imbuia. O reflorestamento também incluiu árvores frutíferas, que ajudam a atrair animais e fortalecer a fauna local.
Aos 75 anos, Izidro enfrenta problemas de saúde, mas o legado segue vivo. A propriedade abriga uma pousada, atualmente administrada pelo filho, Alexandre Guedes, e pela neta, Barbara Guedes, que dão continuidade ao projeto de aliar turismo e preservação ambiental.
Segundo a família, Izidro realizou grande parte do trabalho praticamente sozinho. Para ele, plantar árvores nunca foi apenas uma obrigação ambiental, mas um estilo de vida.
“Ele sempre teve prazer em plantar e distribuir mudas. Herdamos dele essa vontade de cuidar da natureza. Quando você conhece um lugar como esse, entende que a verdadeira riqueza não está no dinheiro, mas na natureza”, afirma Alexandre.
Além de reflorestar as próprias terras, Izidro criou o projeto “Planeta Verde”, voltado à distribuição gratuita de mudas para a comunidade. Em um único dia, a iniciativa chegou a doar mais de quatro mil mudas, formando filas de moradores interessados em plantar árvores nativas e frutíferas.
O trabalho ganhou visibilidade no início dos anos 2000, quando Izidro foi destaque no programa Globo Comunidade, da RPC. Na época, ele já defendia que preservar o meio ambiente exige ação contínua. “O legado que eu quero deixar para os meus descendentes é um planeta mais sadio – não só na conversa, mas na ação”, afirmou.
Duas décadas depois, a visão segue inspirando as novas gerações da família. “A gente tem uma variedade de espécies de animais muito grande, e são espécies que você não vê em todos os lugares. Tem gralha azul, tem gralha-picaça, temos uma das maiores bacias de reprodução das arapongas… É muito interessante a gente poder observar esse desenvolvimento da natureza aqui. […] Eu espero que muito mais gente possa aproveitar esse lugar da forma que a gente aproveita. Que ele possa ensinar muito para as próximas gerações sobre realmente respeitar a natureza”, destaca Barbara Guedes.
A história de Izidro Guedes mostra que ações individuais, quando feitas com constância e propósito, podem gerar impactos duradouros para o planeta.