Epidemia de chikungunya registra 1,7 mil casos e 7 mortes em MS
06/04/2026 / 17:00
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Foto: Reprodução

A epidemia de chikungunya em Mato Grosso do Sul registrou mais de 1,7 mil casos confirmados e 7 mortes no ano de 2026, concentrando a maior parte das ocorrências em Dourados, no sul do estado. O município abriga a maior reserva indígena urbana do Brasil, com mais de 20 mil indígenas guarani-kaiowá, cenário que levou o governo federal a decretar situação de emergência na região.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, vetor também responsável pela dengue e zika. Segundo dados das autoridades de saúde, o aumento dos casos motivou a intensificação de estratégias de combate no estado e nos territórios indígenas. A lei federal permite decretos de emergência para situações que demandam respostas rápidas em saúde pública, como a atual crise em Mato Grosso do Sul.

Ações de controle e assistência

Entre as medidas adotadas para conter a disseminação da doença, o governo estadual instalou armadilhas com larvicida para eliminar o mosquito ainda na fase inicial, evitando que os ovos se tornem adultos. A bióloga Rosana Alexandre, do Centro de Controle de Zoonoses de Dourados, destacou a eficiência desse método no controle do vetor.

O Ministério da Saúde iniciou uma força-tarefa para atuar especificamente nas comunidades indígenas da região. As ações incluem a disponibilização de 50 novos agentes de combate às endemias nas aldeias, a distribuição de 2 mil cestas básicas para as comunidades afetadas, e o reforço na assistência com a incorporação de 102 novos profissionais ao Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) em Mato Grosso do Sul.

Prevenção e alerta para continuidade da doença

Especialistas alertam que, apesar do fim do período sazonal mais comum para as arboviroses, a transmissão da chikungunya pode persistir por mais um ou dois anos devido à alta suscetibilidade da população local. O infectologista Júlio Croda afirmou: “Apesar de estarmos no último mês de sazonalidade das arboviroses, muito provavelmente a transmissão do chikungunya vai permanecer por mais um ou dois anos porque existem muitas pessoas suscetíveis”. Ele ressaltou que a doença chegou recentemente ao estado, o que amplia o risco de novos casos em 2027 e 2028.

Além disso, Mato Grosso do Sul recebeu mais de 46 mil doses da vacina contra a chikungunya, que serão distribuídas principalmente para o sul do estado. A Secretaria de Estado de Saúde intensificou as ações de combate ao mosquito, ampliando o envio de equipamentos, realizando mutirões de limpeza, criando leitos hospitalares e aumentando a oferta de testes na reserva indígena.

A secretária-adjunta de Saúde, Christinne Maymone, pediu o apoio da população para eliminar focos do mosquito. Segundo ela, “Nós pedimos para a população que nos ajude no controle territorial, né? Então, por favor, limpe o seu quintal, pra ter esse cuidado da limpeza dos seus terrenos, dos reservatórios, para que não propicie nenhuma proliferação do mosquito”.