
Os estoques de sangue do Hemocentro da Paraíba estão em situação de alerta neste período que antecede o Carnaval. De acordo com a diretora da unidade, Shirlene Gadelha, o serviço vem operando no limite e antecipou campanhas desde janeiro para evitar a falta de hemocomponentes em todo o estado.
“Estamos trabalhando no limite. Abrimos uma campanha ainda em janeiro para reabastecer os estoques e garantir que não falte sangue para as demandas do estado. Antecipamos as ações para o período pré-carnavalesco, com coletas itinerantes e convites à população para doar e se conscientizar sobre a importância de manter os estoques para os pacientes que precisam”, afirmou.
Segundo a diretora, a maior demanda atualmente é por sangue com fator Rh negativo, especialmente os tipos A negativo, AB negativo e O negativo. Também há necessidade de outros tipos, como AB positivo e B positivo.
“Pedimos que as pessoas com esses fatores sanguíneos procurem o hemocentro para fazer a doação. Em alguns momentos conseguimos liberar bolsas, em outros não, justamente por conta do estoque reduzido”, explicou.
Ela destacou ainda que o quantitativo ideal de sangue varia de acordo com a demanda da rede hospitalar. “O estoque é muito variável. Depende do número de cirurgias, da ocorrência de acidentes, que tendem a aumentar no Carnaval, além de procedimentos como transplantes e cirurgias cardíacas, que exigem atenção especial”, disse.
A escassez de sangue tem reflexos diretos na assistência à população. Sem hemocomponentes suficientes, hospitais podem ser obrigados a suspender cirurgias, adiar tratamentos e limitar atendimentos de urgência.
“Os impactos da falta de sangue são muito graves. Alguns procedimentos deixam de ser realizados quando não há o hemocomponente necessário para distribuição aos hospitais da Paraíba”, alertou.
Shirlene explicou que, em caso de desabastecimento, não há alternativas para suprir a demanda. “Se não temos o sangue, não conseguimos liberar. Isso pode levar à suspensão de tratamentos em andamento ou de cirurgias já agendadas. Não existe como substituir um tipo de sangue por outro quando ele está em falta”, reforçou.

Para enfrentar o cenário de risco durante o período carnavalesco, o Hemocentro da Paraíba intensificou as ações de coleta em todo o estado. A unidade móvel está percorrendo municípios do interior, enquanto João Pessoa concentra grandes campanhas em pontos estratégicos.
Uma das ações ocorre no Hospital São Vicente de Paulo, com foco no reforço dos estoques destinados a pacientes com leucemia, que dependem de transfusões frequentes de hemácias, plaquetas e plasma.
Além disso, uma mobilização organizada pelo Rotary acontece nos dias 6 e 7 de fevereiro em todo o estado, com o objetivo de atrair novos doadores e incentivar o retorno de quem já doou anteriormente.
“O objetivo é garantir mais tranquilidade no atendimento hospitalar durante o feriado”, destacou a diretora.
“Com as doações, conseguimos assegurar a distribuição de hemocomponentes para todos os hospitais, atendendo pacientes em tratamento, cirurgias programadas e situações de emergência”, completou.
No dia 6 de fevereiro, data em que o Hemocentro da Paraíba completa 35 anos de atuação, será lançada a Carteira Digital do Doador de Sangue. A ferramenta vai permitir acesso facilitado às informações do doador e contará com um sistema de categorias Bronze, Prata e Ouro, como forma de reconhecimento e incentivo à fidelização.
Mais do que um comprovante, a carteira digital surge como uma ferramenta estratégica para otimizar a logística dos hemocentros e fortalecer a cultura da doação regular de sangue.
Doar sangue é um gesto simples e pode salvar até quatro vidas. A doação se torna ainda mais essencial neste período festivo, quando aumentam os riscos de acidentes e emergências.
“Já que estamos na folia, vamos fazer essa grande reviravolta da alegria e da solidariedade, abastecendo todos os hemocentros e hemonúcleos que precisam de doadores. Que todos possam brincar, mas também compartilhar vidas”, finalizou a diretora.