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Ex-assistente de palco de Danilo Gentili acusa Otávio Mesquita de estupro em gravação do SBT
27/03/2025 / 14:56
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Comediante denuncia Otávio Mesquita por estupro durante programa de TV no SBT – Foto: Reprodução

A comediante Juliana Oliveira entrou com uma representação criminal no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) em que acusa o apresentador Otávio Mesquita de estupro durante a gravação do programa The Noite, comandado por Danilo Gentili, no SBT, e no qual ela atuava até o ano passado como assistente de palco e produtora.

Segundo a denúncia, as imagens e a transcrição dos diálogos da atração, que foi ao ar em 25 de abril de 2016, mostram que Mesquita tocou nos seios e nas partes íntimas de Juliana, mesmo ela tentando se esquivar e demonstrando contrariedade com a situação.

O advogado Hédio Silva Jr., que representa a humorista, afirma que a lei penal “considera que a prática de atos libidinosos mediante violência configura estupro, ainda que não haja penetração”.

Procurado pela coluna Mônica Bergamo, Mesquita nega e diz que foi uma brincadeira combinada informalmente entre eles antes do início das filmagens. Afirma também que o programa foi gravado e, caso ela não tivesse gostado, teria pedido ao SBT para que ele não fosse ao ar.

“É um absurdo [essa acusação]. Aquilo foi gravado. Ela demorou nove anos e só fez isso agora porque foi demitida e está chateada”, afirmou, em referência ao fato de que Juliana foi desligada do SBT no início deste ano.

“A minha ex-mulher e o meu filho estavam lá na plateia. Não houve um estupro. Foi uma brincadeira”, diz. Mesquita afirma ainda que não recebeu qualquer notificação sobre a representação e que vai processar Juliana pelos danos provocados à sua imagem.

O crime teria ocorrido nos minutos iniciais do programa. Convidado da atração, Mesquita ingressa no palco pelo teto, de ponta-cabeça, puxado por um cabo e ao som da música-tema do Batman. Quando Juliana entra para ajudá-lo a retirar os equipamentos de segurança, ele apalpa os seios dela e, de acordo com a representação, também a sua genitália. Depois, ao se desvirar, ele a prende com as pernas e simula que estão transando.

Já de pé, ele a abraça, a empurra no sofá e volta a fazer movimentos como se estivesse fazendo sexo com ela. O episódio dura cerca de três minutos.

“Juliana está fazendo cara feia, mas eu sei que ela gostou”, diz Danilo Gentili. Posteriormente, Mesquita afirma: “Eu vou falar uma coisa para você que na sua história, fora os seus namorados, ninguém fez. Sem querer, eu dei uma apertada nas peitocas dela…’é durinho’, ‘é durinho’.”

Para os advogados da ex-assistente de palco, as imagens “evidenciam o uso de violência física, já que a vítima lutou ativamente para se desvencilhar do agressor, reagindo com tapas e chutes”.

“Essa resistência reforça a ausência de consentimento e elimina qualquer dúvida sobre a configuração do crime”, argumentam os advogados de Juliana na representação —além de Silva Jr., a advogada Silvia Souza também atua no caso.

Eles também afirmam que a “exposição do ocorrido em rede nacional agrava a ofensa à dignidade da vítima.”

Orientada pelos advogados, Juliana optou por não se manifestar neste momento. Segundo Hédio Silva Jr, ela inicialmente não tinha consciência da gravidade do ocorrido e achava que tinha sido vítima de assédio.

“A cultura do silenciamento, reforçada pelo julgamento social e pela descrença das autoridades, muitas vezes impede a busca imediata por Justiça, fatores estes que encarecem a intervenção do Ministério Público para garantir a responsabilização do agressor e impedir que o tempo seja um escudo para a impunidade”, afirmam os advogados na representação.

Eles pedem que o MP-SP denuncie Mesquita por estupro.

Depois de deixar o The Noite, Juliana passou a ser repórter de variedades do Chega Mais, atração que ocupou as manhãs do SBT no ano passado. Ela foi desligada no canal em fevereiro deste ano.

Com informações da coluna Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo