Filhos de Vladimir Herzog e de Zuzu Angel compareceram à Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (25/3) para assistir ao julgamento que pode tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro e sete aliados réus por tentativa de golpe de Estado.
Ivo Herzog e Hildegard Angel ocuparam cadeiras na primeira fila da sala onde ministros da 1ªTurma do STF decidem se tornam o ex-presidente e sete aliados réus por tentativa de golpe.
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Vladimir Herzog foi um jornalista, professor e dramaturgo de origem iugoslava, naturalizado brasileiro. Em 1975, quando era diretor de jornalismo da TV Cultura, foi preso pelo regime militar sob a acusação de envolvimento com o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Levado para o DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo, Herzog foi brutalmente torturado e assassinado. O regime tentou encobrir o crime alegando que ele havia cometido suicídio na cela, mas evidências e a mobilização da sociedade demonstraram que se tratava de um assassinato político.
Sua morte provocou uma grande comoção nacional e internacional, tornando-se um símbolo da resistência contra a repressão. Em 2012, a Justiça reconheceu oficialmente que ele foi torturado e morto pelo Estado brasileiro.
Zuleika Angel Jones, mais conhecida como Zuzu Angel, foi uma estilista de renome internacional. Sua trajetória na luta contra a ditadura começou após o desaparecimento e assassinato de seu filho, Stuart Angel, militante do grupo revolucionário MR-8, morto sob tortura em 1971.
Zuzu passou a denunciar o regime militar em suas criações, desfilando peças que simbolizavam a dor das mães que perderam seus filhos para a repressão. Ela também pressionou autoridades brasileiras e internacionais, incluindo o então secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger, para obter informações sobre Stuart.
Em 1976, após intensificar suas denúncias, Zuzu sofreu um acidente de carro suspeito no Rio de Janeiro. Testemunhas e investigações posteriores indicam que ela foi assassinada pelos agentes da repressão.
Tanto Vladimir Herzog quanto Zuzu Angel se tornaram símbolos da luta pelos direitos humanos e pela memória das vítimas da ditadura militar no Brasil. O Instituto Vladimir Herzog mantém viva sua história, promovendo a defesa da liberdade de expressão e da democracia. Já a trajetória de Zuzu Angel inspirou livros, peças e o filme Zuzu Angel (2006), dirigido por Sérgio Rezende.