
Flacidez na vulva tem sido uma queixa crescente entre mulheres que passaram por emagrecimento rápido, especialmente após o uso de canetas emagrecedoras no Brasil. Essa condição está relacionada à perda acelerada de gordura corporal, que afeta também a região íntima feminina.
Profissionais da saúde explicam que a alteração não está diretamente ligada às substâncias dos medicamentos, mas à velocidade com que a gordura é eliminada do corpo. A vulva depende do tecido adiposo subcutâneo para manter seu volume e sustentação, e a retração rápida desse volume pode causar flacidez devido à dificuldade da pele em acompanhar essas mudanças.
A ginecologista Ana Carolina Romanini, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que a perda acelerada de peso diminui o volume gorduroso e pode levar à flacidez, pois a vulva possui gordura e fibras de colágeno essenciais para sustentação e proteção. Já a ginecologista Angela Barcelos, mestre em Ciências da Saúde, destaca que os lábios maiores e o monte pubiano são as áreas mais afetadas por terem maior concentração de gordura.
Além do fator estético, a flacidez vulvar pode levar a desconfortos funcionais, como aumento da sensibilidade local, incômodo ao usar roupas justas e durante atividades físicas, e impacto na autoestima e vida sexual. Laura Barrios, fisioterapeuta pélvica, alerta que o emagrecimento rápido sem acompanhamento pode também comprometer a musculatura do assoalho pélvico, resultando em desconfortos nas relações sexuais e alterações urinárias.
Fatores que aumentam a vulnerabilidade à flacidez incluem perda significativa de peso em curto tempo, maior volume de gordura na região pubiana antes do emagrecimento, idade avançada e menor elasticidade da pele. Mulheres na pós-menopausa apresentam maior predisposição devido à redução natural de colágeno.
Especialistas recomendam que a avaliação médica seja procurada se houver dor, irritação frequente, desconforto persistente, impacto na vida sexual, ressecamento vaginal ou alterações urinárias. A avaliação é importante para distinguir entre as mudanças esperadas após o emagrecimento e condições que requerem tratamento.
Para tratar ou minimizar os efeitos da flacidez na vulva, são indicadas abordagens individualizadas, que podem incluir fisioterapia pélvica, exercícios de fortalecimento muscular, tecnologias para estimular a produção de colágeno como radiofrequência e laser íntimo, preenchimento dos grandes lábios e cirurgia plástica íntima.
Recomenda-se que o processo de emagrecimento seja acompanhado por cuidados que preservem a massa muscular e a qualidade da pele, como alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos.