João Pessoa 28.13ºC
Campina Grande 29.9ºC
Patos 35.55ºC
IBOVESPA 158457.48
Euro 6,53
Dólar 5,56
Yuan 0,78
França reabre investigações sobre rede de Epstein por tráfico humano e crimes financeiros
18/02/2026 / 17:12
Compartilhe:
Justiça francesa apura tráfico humano, lavagem de dinheiro e fraude fiscal em conexões com Jeffrey Epstein – Crédito: Getty Images

A Justiça da França abriu novas investigações sobre possíveis conexões do criminoso sexual americano Jeffrey Epstein com cidadãos franceses, apurando suspeitas de tráfico humano, lavagem de dinheiro, corrupção e fraude fiscal. A decisão ocorre após a divulgação de documentos públicos relacionados às atividades do empresário, morto em 2019.

Segundo a promotora de Paris, Laure Beccuau, em entrevista à rádio France Info nesta quarta-feira (18), as apurações terão como base materiais já tornados públicos, além de denúncias apresentadas por entidades de proteção à infância. Duas frentes foram instauradas: uma focada em tráfico humano e outra voltada a crimes financeiros.

Epstein foi condenado em 2008 por solicitar prostituição de uma menor de idade. Sua ex-companheira, Ghislaine Maxwell, foi condenada nos Estados Unidos por tráfico de menores para exploração sexual em conexão com o empresário.

De acordo com o gabinete da promotora, a ampla repercussão do caso pode incentivar vítimas que ainda não haviam se manifestado a procurar as autoridades. Cinco promotores ficarão responsáveis por analisar os documentos divulgados, em busca de indícios de envolvimento de cidadãos franceses em crimes sexuais ou financeiros.

Entre os alvos de investigação está o ex-ministro da Cultura da França, Jack Lang, e sua filha, Caroline Lang, suspeitos de fraude fiscal. As autoridades também analisam o caso do diplomata francês Fabrice Aidan, investigado por supostamente ter transferido documentos das Nações Unidas a Epstein. Ele nega a acusação.

Documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos indicam que Epstein visitava Paris com frequência e era proprietário de um apartamento de luxo próximo ao Arco do Triunfo. Para a ONG Innocence en danger, que atua no combate ao abuso sexual infantil, a França tem papel central no caso por ser o único país fora dos Estados Unidos onde Epstein possuía imóvel.

Em 2019, promotores franceses já haviam iniciado uma investigação sobre as conexões de Epstein no país. O inquérito foi encerrado em 2023 após a morte de Jean-Luc Brunel, aliado de longa data do empresário, encontrado morto em uma prisão francesa.

As autoridades admitem que os dados disponíveis ainda são incompletos e classificam o trabalho como “titânico”. Paralelamente, um painel de especialistas independentes do Conselho de Direitos Humanos da ONU apontou, nesta semana, indícios da existência de uma “organização criminosa global” ligada à rede de Epstein, com possíveis atos que podem ser enquadrados como crimes contra a humanidade.

O avanço das investigações poderá trazer novos desdobramentos sobre a dimensão internacional do caso e eventuais responsabilidades na França.

+ Receba as notícias do F5 Online no WhatsApp