França repatria ouro armazenado nos EUA para Paris
10/04/2026 / 08:30
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Foto: Reprodução

O Banco Central da França confirmou a venda e repatriação de toda a sua reserva de ouro armazenada no Federal Reserve, em Nova York. Segundo a instituição, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, foram vendidas 129 toneladas de ouro, que correspondiam ao total guardado nos Estados Unidos, em 26 operações pontuais que geraram um ganho de capital de US$ 12,8 bilhões. O valor foi utilizado para comprar barras de ouro equivalentes, que agora estão armazenadas em Paris.

Essa movimentação acompanha uma política do Banco Central francês que vem de 2005, baseada em recomendações de um relatório de controle interno de 2024 que pede a padronização e modernização das reservas de ouro conforme padrões internacionais. Atualmente, ainda restam cerca de 5% das barras a serem padronizadas, com prazo para conclusão até 2028.

A instituição esclarece que a operação não teve caráter geopolítico, diferentemente do que alguns especialistas aventam diante do contexto internacional. Ramiro Ferreira, especialista em investimentos, destaca que as barras no exterior eram antigas, datando do final dos anos 1920, e não atendiam aos padrões atuais de pureza e peso. Ele ainda observa que a repatriação ocorreu durante um momento de tensão nas relações comerciais e políticas entre Europa e Estados Unidos, especialmente sob o governo Trump.

Contexto global e procura pelo ouro

Em setembro de 2025, a Reuters informou que os bancos centrais passaram a deter mais ouro nas reservas do que títulos da dívida pública americana, com um estoque total avaliado pelo Banco Central Europeu (BCE) em 36 mil toneladas. Em pesquisa recente, 40% dos gestores de quase 100 bancos centrais indicaram intenção de aumentar sua exposição ao metal precioso.

O ouro é considerado um ativo seguro, valorizado em períodos de crise. A elevação da dívida dos Estados Unidos, dúvidas sobre a independência do Federal Reserve e tensões geopolíticas têm reduzido a confiança no dólar, estimulando a procura pelo ouro. Em janeiro deste ano, a cotação chegou a US$ 5.595 a onça, maior valor histórico, mas caiu para cerca de US$ 4,7 mil em 9 de março de 2026.

Essa movimentação da França reflete mudanças no mercado global e em estratégias de reservas internacionais, seguindo tendências recentes de repatriação e valorização do ouro como reserva de valor.