
O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão será apresentada na reunião dos embaixadores da UE, agendada para esta sexta-feira.
O acordo UE-Mercosul prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação entre os blocos, além de regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. O texto está em negociação há mais de 25 anos.
Macron reforçou a posição da França como o principal país resistente ao tratado. No mês anterior, ele já havia condicionado o apoio francês à inclusão de novas salvaguardas para proteger o setor agrícola nacional. “Quero dizer aos nossos agricultores, que expressam a posição francesa desde o início, que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, declarou o presidente.
Além disso, o governo francês se opõe a qualquer tentativa de acelerar a aprovação do pacto na União Europeia.
Na quarta-feira (7), o governo da França decretou a suspensão temporária, com duração de um ano, das importações de determinados produtos agrícolas da América do Sul que utilizam agrotóxicos proibidos no bloco europeu. A medida já está em vigor, mas ainda depende de aprovação da Comissão Europeia.
A lista de produtos inclui abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas que apresentem resíduos de cinco fungicidas e herbicidas proibidos na UE: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.
Entre os produtores rurais franceses, o acordo é visto como uma ameaça devido ao receio da concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos pela União Europeia. Essa preocupação reforça a posição crítica do país no processo de aprovação do acordo.