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Fundac inicia tratamento com auriculoterapia para socioeducandos
01/07/2021 / 18:19
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A Fundação Desenvolvimento da Criança e do Adolescente Alice de Almeida (Fundac) agora passa a contar com mais um tratamento que busca auxiliar no atendimento socioeducativo de adolescentes que cumprem medidas judiciais no Centro de Atendimento Socioeducativo Rita Gadelha, no Centro Educacional do Adolescente – CEA/JP e no Centro Educacional do Jovem – CEJ: a auriculoterapia.

Oriunda da medicina tradicional chinesa, a auriculoterapia é uma prática integrativa de baixo custo e realização simples que consiste na aplicação de materiais de estimulação cutânea (cristais radiônicos) no pavilhão auditivo, com o objetivo de reorganizar o fluxo energético dos sistemas. A sessão traz outros benefícios mais amplos, como o relaxamento, a escuta e a imersão sonora.

A ideia do uso da auriculoterapia na socioeducação foi da médica do Centro de Atendimento Socioeducativo Rita Gadelha, Dra. Débora Martins Lacerda de Carvalho, pós-graduanda em medicina tradicional chinesa, que acredita no tratamento como auxílio para saúde física e mental dos socioeducandos em cumprimento de medidas de privação de liberdade.

A psicóloga Suzany Silva, coordenadora do eixo Saúde Mental, que compreende a Diretoria Técnica da Fundac, explica que a atuação da médica Débora Carvalho visa à ampliação terapêutica na co-responsabilização e autonomia junto ao protagonismo do cuidado de cada socioeducando, desde a autopercepção dos incômodos até os benefícios pós-aplicação.

“Essa atuação referenda o fortalecimento da política de redução de danos e se alia à concepção de saúde mental que integra todas as dimensões da trajetória de vida e condições subjetivas para proposição de intervenções terapêuticas, garantindo o direito à saúde no cumprimento de medidas socioeducativas”, acrescentou a psicóloga.

Foto: Divulgação/Secom-PB

Segundo Érica Renata, diretora da Rita Gadelha, a Fundac e a gestão da unidade têm trabalhado em busca de novas práticas e perspectivas de ações socioeducativas, priorizando as necessidades e particularidades de cada adolescente, ressignificando, assim, a experiência da medida socioeducativa. Nesse contexto, a ideia de trabalhar o cuidado numa visão holística de cada socioeducanda veio de forma natural em parceria com o setor de saúde da unidade.

“Através dos estudos de casos e diálogos sobre as evoluções diárias das adolescentes, conseguimos pensar esse cuidado de maneira que hoje temos a aceitação de práticas integrativas como eixo principal. Temos tido bons resultados no comportamento quando pensamos em sentimentos comuns no contexto da privação de liberdade, a exemplo da ansiedade, angústia e tristeza”, explica Érica Renata.

A médica Débora Carvalho relatou que as adolescentes da Rita Gadelha têm apresentado melhoras de sintomas como tristeza e ansiedade após a realização do tratamento. “A Fundac acredita nos sonhos e no trabalho das questões intrínsecas da psiquê e a socioeducação necessita deste olhar complexo e totalitário do ser, promovendo ressignificação de arquétipos e expandindo a originalidade única de cada uma dessas meninas em formação de consciência”, enfatiza.

A auriculoterapia, inicialmente destinada às socioeducandas da Rita Gadelha, passou a atender também os socioeducandos do CEA e CEJ. De acordo com a enfermeira Bruna Valério Correia, o tratamento se justifica tendo em vista que os jovens e adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas trazem muitas queixas relacionadas à saúde mental que, quando em seu extremo, podem ocasionar situações de urgências psiquiátricas, colocando em risco a vida deles.

“Temos uma quantidade grande de socioeducandos que tomam medicações de uso controlado, como ansiolíticos e antidepressivos. Nesse período que as visitas passaram a ser limitadas, começamos a pensar em alternativas para fornecer atendimento direcionado. Foi quando surgiu a ideia da auriculoterapia por Dra. Débora”, relata a enfermeira.

A terapia para os socioeducandos vem acontecendo dentro do setor saúde do CEA e tem dado um feedback positivo na qualidade do atendimento socioeducativo, com a melhora nos vínculos entre os internos e agentes, bem como para com a equipe de saúde. A ideia é que a prática seja ampliada para os funcionários, disponibilizando um dia da semana para atendimentos voltados à saúde do trabalhador.