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Geoturismo: novas trilhas mapeadas no Cariri Paraibano têm rochas gigantes, pinturas rupestres e lagoas naturais
18/11/2022 / 23:16
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Caminhos que atravessam paisagens de cinema, formações rochosas raras e vestígios da pré-história podem ser trilhados na região semiárida da Paraíba. O mapeamento de novas rotas para a prática do geoturismo na Fazenda Salambaia, situada em Cabaceiras e Boa Vista (PB), foi fruto do trabalho de pesquisadores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). 

Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

Recém-publicado, o artigo desenvolvido pelos geógrafos Valéria Raquel Porto, Rafael Xavier e Nadson Leite identifica os caminhos das trilhas, seus atrativos turísticos e o grau de dificuldade de cada um dos trajetos.

A pesquisa revelou três rotas: a Trilha da Amélia, a Trilha da Muralha e a Trilha Rupestre. Ela detalha a geografia dos trechos, que vai de “muito fácil” até “muito difícil”, para a prática do ecoturismo no Semiárido Paraibano.

Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

Lajedo da Salambaia, a rocha gigante

Ao lado do já conhecido Lajedo do Pai Mateus, o Lajedo da Salambaia começa a se revelar como um dos destinos mais impressionantes da Paraíba. A rocha com mais de 3 quilômetros de extensão em um formato conhecido como “dorso de baleia” tem mais que o dobro do tamanho da sua vizinha famosa – o Pai Mateus é uma formação rochosa de 1,5 quilômetro de extensão.

Equilibradas sobre o Lajedo da Salambaia estão dezenas de outras grandes rochas de formatos arredondados, com até 4 metros de altura. Muitas delas preservam pinturas e gravuras rupestres de civilizações pré-colombianas, o que denota uma importante riqueza arqueológica, além de conferir uma aura de mistério ao local.

Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

Contudo, o grande lajedo não é o único atrativo da Fazenda Salambaia. A propriedade abriga, além das três trilhas mapeadas recentemente pelos estudiosos da UEPB, o Lajedo das Cabritas, a Pedra dos 24 e o Corredor. Pequenos trechos desses espaços são restritos a pesquisas científicas de arqueologia, paleontologia e botânica.

Para o turista comum, é possível realizar na Salambaia atividades de caminhada, trilhas de bike, turismo pedagógico e até rapel, desde 2018. No entanto, ainda há carência de mais estudos para o melhor aproveitamento das potencialidades locais.

Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

Novas trilhas mapeadas para a prática do turismo na Fazenda Salambaia

Trilha da Amélia 

Partindo da casa sede da fazenda, essa é um trilha com uma distância total de 6,2 km e um percurso de caminhada com trechos “fáceis” e “moderados”. Um dos principais atrativos da Trilha da Amélia é a visão panorâmica do topo do Lajedo da Salambaia.

A perspectiva permite contemplar o “mar de bacias”, que os pesquisadores chamam de gnammas decamétricas. Nos períodos chuvosos, as gnammas acumulam água e formam as “lagoas” temporárias. Como há pouca incidência de chuva na região, essas são aparições raras.

Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

Enormes pedras arredondadas com “entradas” em suas bases parecem abrigos feitos pelo homem. Na verdade, são os chamados matacões, grandes rochas que sofreram erosão na parte de baixo. 

Ainda na Trilha da Amélia é possível contemplar a Pedra das Pinturas e o Labirinto de Pedras, com pinturas rupestres, feitas por civilizações pré-colombianas relacionadas à Tradição Agreste. 

No lajedo, há um local equipado com pinos para a prática do rapel, mas o trecho não está vinculado às trilhas oficiais. 

Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

Trilha da Muralha 

Dentre as três trilhas mapeadas no estudo da UEPB, essa é a mais curta, com um percurso de 3,6 km. Seu ponto de partida é na porteira de entrada da propriedade e seu ponto final é a Pedra da Quixabeira.

Os graus de dificuldade da Trilha da Muralha são classificados como “fácil”, “moderado” e “difícil”. Há ainda um trecho pequeno caracterizado como “muito difícil”, em virtude da maior irregularidade e da necessidade de subida.

O destaque dessa trilha é a Muralha do Cariri, um enorme granito com formação geomorfológica bem peculiar, que lembra uma muralha, de fato. Há ainda, nessa trilha, a Ponte das Pedras Soltas, que está disposta no mesmo sentido de alinhamento da Muralha.

É possível encontrar, ainda, ruínas arqueológicas, como trechos de cercas de pedras construídas por antigos moradores ao longo dos séculos XVIII e XIX, segundo contam os atuais moradores e proprietários. 

Matacões, ou grandes rochas, podem ser vistas em diversos pontos do percurso, como no Bosque das Pedras. A Pedra do Quixó, a Pedra da Concha Acústica e a Pedra do Coração também são paisagens impressionantes que podem ser contempladas nessa trilha. Nessas duas últimas rochas há, inclusive, inscrições rupestres.

Trilha da Muralha no Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

Trilha Rupestre

Essa é a trilha mais extensa identificada pelos pesquisadores, com uma distância total de 12,3 km. Ela parte e termina na sede da fazenda e é a mais utilizada pelos ciclistas, por sua longa distância. O trajeto chega a alcançar as fazendas Puxinanã e Casa Branca. 

A denominação Trilha Rupestre faz referência aos sítios arqueológicos encontrados ao longo do percurso. Foram identificadas sobreposições de pinturas, supostamente associadas a conflitos entre grupos pré-colombianos. 

Há indicações de que que as pinturas da região foram feitas em tinta ocre à base de óxido de ferro por grupos da Tradição Agreste. Já as gravuras, realizadas em baixo relevo sobre a superfície da rocha, são características da Tradição Itacoatiara. 

Para a Trilha Rupestre foram atribuídos os graus de dificuldade “muito fácil”, “fácil” e “moderado”.

Trilha Rupestre no Lajedo da Salambaia | Foto: Nadson Ricardo

A pesquisa desenvolvida pelos geógrafos professores da UEPB é intitulada “Mapeamento e caracterização de trilhas na Fazenda Salambaia como subsídio ao desenvolvimento do geoturismo e da geoconservação no Semiárido Paraibano” e pode ser acessada em https://ojs.ufgd.edu.br/index.php/anpege/article/view/15922