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Geração Z e Baby Boomers: qual a preferência das empresas para contratação?
12/04/2024 / 18:24
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Um estudo da revista online Intelligent, que ouviu 800 gestores de empresas americanas, mostrou que 4 em cada 10 dirigentes têm evitado contratar jovens recém-formados. 

A pesquisa mostrou ainda que 50% dos jovens usam roupas inadequadas no ambiente de trabalho e 20% levaram um dos pais para a entrevista. A lista ainda aponta as dificuldades em cumprir horários e de lidar com a rotina estabelecida.

O problema também é apontado por profissionais de RH em João Pessoa.

Em entrevista ao Portal F5 Online Thalita Amarante, especialista em gestão de pessoas e Recursos Humanos estratégico, fez uma análise detalhada sobre o perfil desses jovens nascidos entre 1995 e 2010. Thalita destaca a busca por um propósito, a aversão à burocracia, o espírito empreendedor e a necessidade de flexibilidade no ambiente de trabalho como características marcantes dessa geração. Além disso, ela ressalta a importância das empresas compreenderem e se adaptarem às expectativas e demandas desses jovens para atrair e reter talentos.

Thalita Amarante, especialista em gestão de pessoas e Recursos Humanos estratégico. (Foto: divulgação/redes sociais)

As empresas que desejam atrair ou manter esses talentos da geração Z elas precisam oferecer um ambiente de trabalho flexível, oportunidades de aprendizado contínuo, estímulo à colaboração em equipe, valorização do trabalho realizado, priorização dos feedbacks e desenvolvimento de habilidades de liderança adaptadas às expectativas dessa geração”.

Olhar acolhedor e feedbacks construtivos

Para a especialista esse jovens  buscam uma cultura muito participativa nas empresas e é importante ter um olhar acolhedor para as dificuldades dessa geração.

“A gente precisa compreender melhor a mentalidade desses jovens para trazê-los para dentro desse ambiente multigeracional. Que a gente saiba cativar e pegar o melhor dessa geração Z, oferecer um ambiente de trabalho flexível para proporcionar uma oportunidade de aprendizagem contínua. Pois, como eles não estão prontos, muito embora se achem prontos, a gente precisa ter na empresa uma boa estrutura de treinamento e investir no crescimento profissional desses jovens; estimular a colaboração do trabalho em equipe, reconhecer e valorizar o trabalho realizado, priorizar a questão dos feedbacks, desenvolver habilidades de liderança que muitas vezes eles não têm muito claro e buscar um equilíbrio entre tecnologia e interação humana.”

Os desafios da contratação de pessoas com mais de 50 anos

Além das dificuldades enfrentadas pelos jovens recém-formados, há também um desafio relacionado à contratação de pessoas com mais de 50 anos. Thalita Amarante destaca que muitas empresas ainda têm preconceitos em relação a essa faixa etária, associando-a a questões como saúde debilitada, barreiras tecnológicas e dificuldades de adaptação ao ambiente de trabalho.

As vantagens de contratar mais velhos

Apesar dos desafios, a especialista  reconhece as vantagens de contratar pessoas com mais de 50 anos, como estabilidade no trabalho, ampla bagagem de conhecimentos, confiabilidade e ética profissional. 

“Ainda há muito preconceito por parte de algumas empresas em relação ao ser idoso, ser senil, e algumas limitações que naturalmente a vida traz, quer seja de saúde física, mental, em relação à questão da velhice mesmo. Fora isso, têm todas as dificuldades que essas pessoas enfrentam com as questões tecnológicas. Porém, mesmo diante dessas dificuldades, temos vantagens: eles têm estabilidade grande no trabalho e baixa rotatividade, eles buscam essa estabilidade. Outra vantagem é a ampla bagagem de conhecimentos que essas pessoas trazem consigo, a confiabilidade e a ética que muitos deles trazem para o mercado de trabalho”.

Ela ressalta a importância de as empresas valorizarem essas características e oferecerem oportunidades de crescimento e desenvolvimento profissional para os trabalhadores mais experientes.

Conflitos geracionais

Evan de Albuquerque Silva, estudante de Energias Renováveis (Foto: Reprodução)

Na contramão de tudo isso, Evan de Albuquerque Silva, pernambucano de 63 anos, compartilhou com o Portal F5 Online sua experiência pessoal como exemplo dos desafios enfrentados por pessoas mais velhas no mercado de trabalho. 

Desempregado há mais de dois anos, Evan tem enfrentado dificuldades para encontrar um emprego devido à idade e falta de formação escolar.

“Eu bato na porta das empresas, e sempre o que ouço é que estou velho demais pra trabalhar.”

Apesar de tudo , Evan decidiu não desistir e buscar novas oportunidades. Ele retornou aos estudos, e vai começar a cursar Energias Renováveis na Universidade Federal da Paraíba (UGPB).

 “Não perdi a esperança. Tô passando por um momento muito difícil. Já me senti inútil e hoje vejo um futuro melhor, mesmo com a minha idade, não vou desistir.”

O estudo e as análises apresentadas pela especialista Thalita Amarante nesta reportagem, destacam a complexidade do mercado de trabalho atual, onde diferentes gerações enfrentam desafios únicos. Para construir ambientes de trabalho inclusivos e produtivos, as empresas precisam compreender e se adaptar às necessidades e expectativas de todas as faixas etárias, valorizando a diversidade e promovendo oportunidades de crescimento e desenvolvimento para todos os profissionais.

No caso da geração Z, eles estão iniciando a vida profissional, então, tem todo um perfil a ser construído, mesmo que formados e com conhecimentos técnicos na área, eles precisam ser desenvolvidos para o mundo corporativo e moldados de acordo com a cultura da empresa que estão inseridos. 

Segundo Thalita, embora seja desafiador, é muito importante este processo, o de desenvolver alguém e acompanhar a evolução.