Governo Lula terá pelo menos 16 saídas de ministros para eleições
30/03/2026 / 07:26
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O presidente Lula (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O governo Lula deve registrar um número recorde de saídas de ministros para disputar as eleições de outubro, com pelo menos 16 trocas confirmadas nesta semana. Este é o maior volume desde os últimos mandatos dos presidentes Lula e Dilma Rousseff e o governo Bolsonaro.

A legislação eleitoral brasileira determina que autoridades que desejam concorrer a cargos eletivos precisam se desincompatibilizar, ou seja, se afastar dos cargos públicos com prazos que variam de três a seis meses, dependendo da função exercida. O prazo para essas desincompatibilizações termina no próximo sábado (4).

O elevado número de mudanças no atual mandato ocorre porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva formou um gabinete com um grande número de ministros de diversos partidos, muitos dos quais eleitos para o Legislativo em 2022 e que agora buscam mandatos novamente. Além disso, o presidente designou auxiliares importantes para concorrer a cargos eleitorais, tanto para reforçar as campanhas nos estados quanto para tentar limitar avanços da oposição no Senado.

Na próxima terça-feira (31), Lula realizará uma reunião no Palácio do Planalto para oficializar as trocas, numa espécie de passagem de comando entre os ministros atuais e seus substitutos. Segundo auxiliares, o objetivo do presidente é concretizar a maioria das substituições já na data da reunião.

Nessa reorganização, em geral, os secretários-executivos dos ministérios, que são posições logo abaixo dos ministros, foram indicados para assumir temporariamente as pastas. Entretanto, há exceções, como Bruno Moretti, que pode assumir o Ministério do Planejamento no lugar de Simone Tebet (PSB), e a indefinição sobre seu substituto na articulação política, com o nome de Olavo Noleto sendo cogitado, embora Lula prefira alguém com experiência legislativa.

Entre os ministros que vão deixar seus cargos para se candidatar estão Fernando Haddad (pré-candidato ao governo de São Paulo), Renan Filho (governo de Alagoas), Rui Costa (Senado pela Bahia), Gleisi Hoffmann (Senado pelo Paraná), Simone Tebet (Senado em São Paulo), Marina Silva (Senado em São Paulo), André Fufuca (Senado pelo Maranhão), Carlos Fávaro (Senado em Mato Grosso), Waldez Góes (Senado pelo Amapá), Silvio Costa Filho (candidatura à Câmara), Paulo Teixeira (Câmara por São Paulo), Anielle Franco (Câmara pelo Rio de Janeiro), Sônia Guajajara (Câmara por São Paulo) e Macaé Evaristo (assembleia legislativa de Minas Gerais).

Além dos que disputarão cargos eletivos, o ministro da Comunicação Social, Sidônio Palmeira, deve deixar o governo para atuar como marqueteiro na campanha de Lula, embora sua saída esteja prevista apenas para o meio do ano.

Alguns ministros ainda têm a situação indefinida, como Márcio França, Wolney Queiroz, Alexandre Silveira e Luciana Santos, que avaliam candidaturas ou permanência no governo.

Essa movimentação expressiva reflete a estratégia do Planalto para o pleito de 2024, buscando manter a governabilidade e fortalecer a base política enquanto prepara o terreno para as disputas eleitorais no Congresso e nos estados.