28.1 C
João Pessoa
22.9 C
Campina Grande
23.5 C
Brasília

IBGE-EMPREGO Desemprego da Covid atinge mais jovens, negros e Nordeste

 

NICOLA PAMPLONA
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O desemprego recorde provocado pela pandemia teve efeitos mais devastadores sobre os mais jovens, os negros e a região Nordeste, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (10) pelo IBGE.
Em 2020, a taxa de desemprego no país bateu 13,5%, o maior valor desde o início da série histórica da pesquisa no formato atual, em 2012. Segundo a consultoria iDados, seria a maior taxa desde 1993.
De acordo com o IBGE, houve recorde de desemprego em dez estados e no Distrito Federal, com destaques negativos para Bahia (19,8%), Alagoas (18,6%), Sergipe (18,4%) e Rio de Janeiro (17,4%). Na região Nordeste, a taxa média chegou a 16,7%.
Os dados fechados do ano confirmam que, com as medidas restritivas à circulação de pessoas, o desemprego atingiu de forma mais severa o trabalhador informal e, como consequência, parcelas da população que historicamente têm menos acesso à formalidade.
Em média, a taxa de desocupação cresceu 1,62 ponto percentual em relação ao ano anterior, mas entre pessoas pretas e pardas a alta foi maior, de 2,6 e 1,75 pontos percentuais, respectivamente.
No ano, a taxa de desemprego entre as pessoas que se autodeclaravam pretas, de 17,3%, era 58,7% superior à daquelas que se autodeclaravam brancas (10,9%).
Já a da população parda foi de 15,4%.
“Durante o ano, o desemprego foi muito mais forte na informalidade”, disse a gerente da pesquisa do IBGE, Adriana Beringuy. “Como a gente sabe que grande parte dos trabalhadores pretos e pardos está ligada à informalidade, pode ser que o aumento do trabalho informal tenha influência no desempenho do desemprego desses trabalhadores.”
O cenário pode explicar também a elevada taxa de desemprego entre menos escolarizados: no quarto trimestre de 2020, quase um quarto (23,7%) dos brasileiros em idade de trabalhar e com ensino médio incompleto estavam em busca de uma vaga.
Esse grupo sempre teve uma taxa de desemprego maior do que outros níveis de escolaridade, mas o número registrado no fim de 2020 representa um crescimento de 5,2 pontos percentuais em relação a um ano antes.
No grupo de brasileiros com ensino superior completo, por outro lado, a taxa foi de apenas 6,9% no quarto trimestre, um aumento de 1,3 ponto percentual em relação ao verificado no mesmo período do ano anterior.
Esse contingente teve mais facilidade para adotar o home office ou se beneficiar de medidas de proteção ao emprego do governo federal, como a suspensão de contratos ou a redução de jornada e salário.
Entre a população com faixa etária entre 18 e 24 anos, a alta em relação a 2019 foi de 2,85 pontos percentuais. Em 2020, 29,5% dessa parcela estavam desempregados, mais que o dobro da média nacional.
Não houve, na taxa anual, grande diferença entre a evolução do desemprego de homens e de mulheres, já que os homens foram mais atingidos no início da pandemia. As mulheres (15,7%), porém, continuam com uma taxa de desemprego bem superior à dos homens (11,8%).
No quarto trimestre, com a recuperação da informalidade, a disparidade na taxa voltou a crescer: a taxa de desocupação das mulheres terminou o ano 37,8% maior que a dos homens, bem acima dos 24,2% registrados no segundo trimestre.
A leve recuperação em relação ao trimestre anterior é resultado da maior abertura da economia e de efeitos sazonais relacionados às festas de fim de ano. A taxa caiu de 14,6% no trimestre encerrado em setembro para 13,9% no encerrado em dezembro.
“Mas o ganho não foi suficiente para repor toda a perda do emprego que ocorreu durante o ano de 2020”, ressaltou Beringuy. Com o fim do auxílio emergencial e das medidas de apoio que ajudaram a segurar vagas em 2020, a expectativa do mercado já era de expansão do desemprego no início de 2021.
A situação, porém, deve ser pior do que o estimado inicialmente, diante dos recordes de contaminações por Covid-19, que já levaram cidades e estados a adotar medidas mais restritivas à abertura do comércio e dos serviços.

Leia Também

 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

#PUBLICIDADE#

Mais Lidas

ENQUETE F5: Se as eleições fossem hoje Pedro Cunha Lima seria o novo governador da Paraíba

O programa F5 da Rádio POP FM realizou uma enquete com os ouvintes e expectadores que acompanharam a transmissão...

DATAVOX: João Azevêdo lidera com 40,7% das intenções de voto na 1ª pesquisa para governo da PB em 2022

Realizada em parceria entre o Instituto Datavox e o portal PB Agora, a pesquisa aponta o deputado federal Pedro Cunha Lima (PSDB) em segundo lugar, com 14,2%. Em seguida vem o senador Veneziano Vital (MDB), com 6,6%, o ex-prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) com 5,9%, Nilvan Ferreira (PTB) com 3,2% e a vice-governadora do estado, Lígia Feliciano (PDT) com 1%. Indecisos somam 20,3%, enquanto brancos e nulos representam 8,1%.

Palco desaba e deixa formandos de medicina feridos na Grande João Pessoa

Duas  pessoas  foram socorridas com traumatismo craniano encefálico (TCE) após parte da estrutura de um palco desabar, no final da tarde deste sábado (21),...

15 possíveis temas de redação para o Enem 2022

O Portal Nacional da Educação divulgou uma lista com os possíveis temas de redação para as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem),...

Polícial Rodoviária Federal morre em Cabedelo

A policial rodoviária federal Renata Maia Pimenta, de 42 anos, morreu na noite desta sexta-feira (20) no prédio onde morava em Cabedelo. A informação...
#PUBLICIDADE#

ACHAMOS QUE VOCÊ VAI GOSTAR

#PUBLICIDADE#