
Israel estabeleceu o prazo de 1º de janeiro para que 37 ONGs que operam em Gaza forneçam informações detalhadas sobre seus funcionários às autoridades. A decisão visa impedir que grupos terroristas, como o Hamas, possam se beneficiar da ajuda internacional. O porta-voz Gilad Zwick declarou à AFP que algumas organizações se recusam a enviar as listas por suspeitas de vínculos de funcionários com grupos extremistas.
A MSF e outras ONGs reconhecidas, como Oxfam, CARE e World Vision International, estão na lista das organizações ameaçadas pela revogação das licenças. Israel acusa especificamente a MSF de ter funcionários ligados ao Hamas e à Jihad Islâmica.
A MSF alertou que a medida pode comprometer cuidados de saúde vitais para centenas de milhares de pessoas em Gaza em 2026. O Hamas qualificou a decisão como um “comportamento criminoso” e um desrespeito ao sistema humanitário.
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, classificou a suspensão das ONGs como “ultrajante” e lembrou que Israel tem a obrigação, conforme o direito internacional, de garantir o fornecimento de itens essenciais e facilitar a ajuda humanitária.
A União Europeia também criticou as exigências, com a autoridade Hadja Lahbib afirmando que as novas regras bloqueiam a chegada de ajuda vital à população, reforçando que o Direito Internacional Humanitário exige que a assistência chegue a quem precisa.
A situação humanitária em Gaza é agravada pela chegada do inverno e tempestades que destruíram milhares de tendas, deixando cerca de 1,3 milhão de pessoas em necessidade urgente de apoio para alojamento e moradia. O acordo de cessar-fogo previsto para outubro estabelecia a entrada diária de 600 caminhões com suprimentos, mas analistas indicam que entre 100 e 300 caminhões têm cruzado a fronteira na prática.
O prazo para o fornecimento dos dados das organizações termina à meia-noite desta quarta-feira (31). Caso as licenças sejam revogadas, o envio de alimentos e ajuda médica em Gaza poderá ser severamente prejudicado, impactando diretamente a população já vulnerável na região.