
A janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de partido sem perder mandato, provocou tensão entre o União Brasil e o PL. Durante essa fase, o União Brasil perdeu oito deputados federais, enquanto o PL ampliou sua bancada com a chegada de dez novos integrantes. Entre os nomes que deixaram o União Brasil para se filiar ao PL estão figuras de destaque no Congresso, como Mendonça Filho (PE), relator da PEC da Segurança; Alfredo Gaspar (AL), relator da CPMI do INSS; e Rodrigo Valadares (SE), relator inicial do projeto da anistia.
Historicamente, a janela partidária é uma ferramenta prevista na legislação brasileira para permitir realinhamentos políticos, especialmente em anos eleitorais, sem penalização para os parlamentares. Esse mecanismo, porém, frequentemente gera impactos nas composições das bancadas e nas alianças políticas dentro do Congresso.
Fontes da cúpula do União Brasil demonstraram incômodo com o comportamento do PL, que teria atuado diretamente para conquistar deputados influentes do partido. Para eles, o União Brasil funcionou como uma espécie de “barriga de aluguel”, desenvolvendo deputados com papéis de destaque, que depois migraram para outra legenda. Como apontam interlocutores, o partido investiu em cargos importantes, como as relatorias citadas, e acabou vendo esses quadros se transferirem para a sigla de Jair Bolsonaro.
“Quem quer aliança não pesca dentro do aquário”, afirmou um integrante do União Brasil, referindo-se à estratégia do PL. Além disso, a saída de parlamentares trouxe preocupações sobre a fidelidade dos nomes que ocupam cargos estratégicos no partido. A avaliação interna é que, a partir de agora, será fundamental selecionar representantes mais comprometidos para posições-chave, na Câmara e na Esplanada.
Outro ponto de preocupação é a situação de Alfredo Gaspar, que, ao migrar para o PL, pode tornar-se adversário do União Brasil e do PP em Alagoas. Ele ainda não definiu se disputará o Senado ou o governo estadual, e sua candidatura poderia impactar a tentativa de reeleição do deputado Arthur Lira (PP-AL).
A recente saída de Ronaldo Caiado para o PSD, pré-candidato à presidência da República, agravou o quadro, e integrantes do União Brasil afirmam que o partido dificilmente apoiará Caiado nas eleições nacionais. A tendência apontada é um apoio a Flávio Bolsonaro, mesmo com a tensão causada pela transferência de deputados para o PL.
Apesar da redução da bancada, que passou de 59 para 51 deputados após a janela partidária, integrantes do União Brasil consideram essa perda como esperada, diante da federação política com o PP. A projeção do partido para as eleições de outubro é eleger entre 60 e 70 deputados federais, e, somado com o PP, a expectativa é alcançar ou superar 100 parlamentares na Câmara.
Esse cenário mostra como a janela partidária pode alterar a dinâmica entre partidos aliados e influenciar as estratégias para as eleições gerais.