
Os juros do cartão de crédito rotativo atingiram 436% ao ano em fevereiro, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira (30). Essa modalidade de crédito permanece como a mais cara no mercado financeiro brasileiro, com taxas que ultrapassam em 30 vezes a taxa básica de juros da economia, a Selic.
O crédito rotativo é acionado quando o consumidor não paga o valor total da fatura do cartão na data de vencimento. Em janeiro, cerca de 40 milhões de pessoas estavam endividadas nessa linha de crédito, que registrou uma taxa de inadimplência de 63,5%, de acordo com o Banco Central.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou que o uso excessivo do cartão de crédito, principalmente do rotativo, contribui para o aumento do endividamento das famílias. Segundo ele, essa modalidade deveria ser reservada para emergências, e os bancos precisam oferecer alternativas mais adequadas para o consumidor.
Para reduzir o impacto dos altos juros, o governo lançou no ano passado o crédito consignado para trabalhadores do setor privado, que já liberou mais de R$ 80 bilhões. Há também a expectativa de regulamentação para permitir o uso do saldo do FGTS como garantia em empréstimos, o que poderia baixar as taxas, mas até o momento essa medida ainda não foi implementada.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou preocupação com o nível de endividamento da população, considerado entre os mais elevados das últimas décadas. Em evento em Goiás, ele afirmou: “Falei para meu ministro da Fazenda pra gente resolver a dívida das pessoas. Não quero que deixem de endividar para ter coisas novas na vida, mas ver como a gente faz pra facilitar o pagamento do que devem”.
Especialistas recomendam que os consumidores evitem o uso do crédito rotativo devido aos altos custos e priorizem o pagamento integral das faturas para evitar o acúmulo de dívidas. A situação reforça a importância de políticas públicas e iniciativas dos bancos para oferecer opções de crédito com juros mais baixos e maior sustentabilidade financeira para os clientes.
O cenário revela desafios para a economia doméstica, com um número significativo de brasileiros recorrendo ao crédito mais caro para financiar o consumo, o que gera um círculo de endividamento e inadimplência crescente.