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Mobilidade urbana entra no centro do planejamento de João Pessoa diante do avanço do turismo e da expansão imobiliária
04/02/2026 / 16:49
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Foto: Divulgação

João Pessoa atravessa um dos ciclos mais intensos de crescimento urbano, populacional e turístico de sua história recente. Com praias urbanas balneáveis, visibilidade nacional, internacional e projeções de ocupação hoteleira próximas de 100% na alta temporada, a capital paraibana se fortalece, dia após dia, como um dos principais destinos do Nordeste. Esse avanço, no entanto, traz à tona um desafio estrutural cada vez mais evidente: garantir que a mobilidade urbana acompanhe o ritmo da expansão da cidade.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que João Pessoa é a capital nordestina que mais cresceu proporcionalmente nos últimos anos. O aumento da população fixa, somado à população flutuante impulsionada pelo turismo e por grandes eventos, pressiona diretamente a infraestrutura viária, o sistema de drenagem e os padrões de deslocamento urbano. Dessa forma, o novo Plano Diretor assume papel central ao estabelecer diretrizes para um crescimento mais integrado, equilibrado e sustentável.

Para o secretário de Infraestrutura de João Pessoa, Rubens Falcão da Silva Neto, a mobilidade urbana deixou de ser tratada apenas como uma questão de tráfego e passou a integrar uma visão mais ampla de cidade, em que infraestrutura, acessibilidade e planejamento caminham juntos. Segundo ele, a atuação da Seinfra está diretamente alinhada às diretrizes do Plano Diretor, com foco na qualificação dos espaços urbanos desde a base.

“Entendemos que o crescimento de João Pessoa deve ir além do aspecto quantitativo; ele precisa ser qualitativo e sustentável. Por isso, o programa Minha Rua Calçada — a maior intervenção em pavimentação da história da Paraíba — além de entregar apenas asfalto ou bloco, também traz soluções completas de engenharia urbana. Sob esta gestão, nenhuma via é pavimentada sem o devido estudo e execução de drenagem. Estamos padronizando o passeio público com calçadas acessíveis, piso tátil e rampas, priorizando a segurança e o conforto, além de expandir a malha de ciclovias, afirma.

Secretário de Infraestrutura de João Pessoa, Rubens Falcão da Silva Neto. Foto: Divulgação

Essa abordagem reflete uma mudança estrutural na forma como as obras viárias vêm sendo planejadas e executadas na capital. De acordo com Rubens Falcão, os investimentos deixaram de priorizar exclusivamente o asfalto e passaram a considerar o pedestre, o ciclista e a convivência urbana como elementos centrais do projeto. 

“Hoje, não falamos mais apenas em ‘metragem de asfalto’. Estamos expandindo a malha de ciclovias e ciclofaixas, integrando bairros periféricos aos centros de serviços e à orla, promovendo o uso da bicicleta para transporte e lazer. Projetos como o novo Parque da Cidade e a revitalização de grandes avenidas contemplam travessias elevadas e iluminação em LED voltada para as calçadas, aumentando a segurança de quem caminha. O foco deixou de ser apenas a fluidez dos carros: João Pessoa hoje constrói vias que funcionam como espaços públicos, onde o cidadão encontra conforto, segurança e uma infraestrutura que convida à ocupação da cidade”, destaca.

Obras estruturantes e resposta ao crescimento

O avanço do turismo e o adensamento urbano exigiram soluções mais complexas de engenharia e planejamento. Atualmente, João Pessoa vive um dos maiores ciclos de obras estruturantes voltadas à mobilidade urbana de sua história recente. Rubens Falcão destaca que a gestão está preparando a malha viária para as próximas décadas com obras estruturantes, como o Complexo Viário da Beira Rio e o Parque da Cidade. O secretário enfatiza, ainda, o investimento estratégico no suporte ao Polo Turístico Cabo Branco e na urbanização dos acessos às praias do litoral sul, como Praia do Sol e Barra de Gramame. O uso de convênios federais e estudos de mobilidade garante que a infraestrutura seja um motor de conectividade e desenvolvimento sustentável para a capital.

“Essas são obras estruturantes, pensadas para resolver um gargalo histórico da cidade. Ela cria uma nova artéria de ligação entre regiões importantes, redistribui o fluxo de veículos e reduz a sobrecarga em corredores já saturados. Elas integram novos territórios à cidade, garantem segurança viária e criam condições para o desenvolvimento econômico dessas regiões. Mobilidade também é integração urbana”, ressalta.

O orçamento da Seinfra acompanha essa estratégia. Atualmente, cerca de R$ 40 milhões por ano são destinados à manutenção e recuperação de vias existentes, enquanto aproximadamente R$ 100 milhões anuais financiam novas obras e intervenções estruturantes. “Manter a cidade funcionando é tão importante quanto expandir. Não adianta abrir novas vias se a malha existente não receber manutenção. Por isso, buscamos esse equilíbrio entre conservar o que já existe e preparar a cidade para crescer”, pontua o secretário.

Polo Turístico Cabo Branco. Foto: Imagem 3D divulgação

De acordo com o secretário de Infraestrutura, João Pessoa vive atualmente o maior canteiro de obras de sua história, com um cronograma focado em descentralizar o fluxo e reduzir o tempo de deslocamento. Rubens Falcão explica que, por ser uma das capitais mais antigas do país, o desafio da Seinfra é aplicar uma engenharia de otimização em uma malha urbana já consolidada. O objetivo central é criar uma cidade conectada, onde a infraestrutura funcione como suporte para o crescimento econômico e o bem-estar social.

“A capital paraibana possui uma característica desafiadora: operamos sobre uma malha urbana consolidada, com ruas de traçado histórico. Nosso trabalho é apenas ‘abrir caminhos’ e aplicar uma engenharia de otimização para fazer a cidade fluir dentro de seus limites físicos. Onde não podemos alargar ruas, estamos investindo no programa Asfalto Novo e no redesenho de sistemas viários, como o do Parque da Cidade, o que irá garantir que o tráfego flua sem as retenções que hoje marcam a nossa capital”.

As ações da Seinfra estão divididas em frentes que atacam os pontos de maior pressão na capital:

  • Complexo Viário Beira Rio–Miramar–Altiplano:
    • Considerado o “carro-chefe” da gestão em mobilidade.
    • Solução definitiva para o gargalo entre o Altiplano e Miramar.
    • Inclui viadutos e túneis para eliminar conflitos de tráfego.
  • Orla Sul (Acessos à Praia do Sol e Barra de Gramame):
    • Urbanização completa com drenagem e iluminação em LED.
    • Foco estratégico na integração do Litoral Sul ao eixo turístico.
    • Beneficia diretamente a economia e os moradores do bairro Valentina.
  • Eixo Sudeste-Sul (Mangabeira, Valentina e Geisel):
    • Avenida Hilton Souto Maior: Ampliação para aumentar a capacidade de tráfego em 50%.
    • Viaduto de Água Fria: Eliminação de conflitos de trânsito entre os bairros e a BR-230.
  • Vetor Norte (Bessa e Aeroclube):
    • Redesenho do sistema viário no entorno do novo Parque da Cidade.
    • Criação de novas alças de acesso e binários para desafogar a região do Retiro.
  • Polo Turístico Cabo Branco:
    • Infraestrutura de base e pavimentação para suporte aos novos empreendimentos hoteleiros e turísticos da região.

Mobilidade como fator de desenvolvimento

Para o presidente do Instituto Ranking PB (IRPB), diretor de Expansão do Creci-PB e membro do Conselho do Sinduscon, Alisson Holanda, a mobilidade urbana passou a ser um dos principais indicadores de competitividade das cidades, especialmente em destinos turísticos. “Mobilidade deixou de ser apenas uma pauta técnica e passou a ser um fator econômico e social. Uma cidade que trava o trânsito perde atratividade, perde investimentos e compromete a qualidade de vida. Quando o planejamento vem antes da ocupação, o custo é menor e o resultado é melhor para todos”, avalia.

Segundo o  presidente do IRPB, o crescimento do turismo amplia ainda mais a necessidade de planejamento. “O turista utiliza a mesma infraestrutura do morador. Se a cidade não estiver preparada para esses picos de demanda, o impacto aparece rapidamente, seja no trânsito, no transporte coletivo ou na imagem do destino. Mobilidade urbana é parte essencial da experiência turística”, observa.

Alisson Holanda ainda destaca que o crescimento vertical de João Pessoa, especialmente em bairros como o Altiplano, exige que o poder público atue com antecipação. O diretor do Creci-PB pontua que o valor de um imóvel não está somente entre suas paredes, mas na facilidade com que o cidadão se conecta ao restante da cidade. “O mercado imobiliário acompanha de perto essas obras. Quando anunciamos um complexo viário, por exemplo, estamos valorizando toda uma região e dando segurança para que novos empreendimentos surjam com a certeza de que haverá fluidez. Este tipo de obra é a prova de que a engenharia pode e deve corrigir distorções históricas de ocupação”, afirma.

O empresário também ressalta que a requalificação das vias periféricas é um movimento fundamental para descentralizar a economia local. Segundo ele, ao pavimentar e iluminar acessos em áreas como o Litoral Sul e o entorno do Parque da Cidade, a gestão cria novas “centralidades”, o que permite que o desenvolvimento chegue a quem mais precisa. “Integrar o Valentina e as praias do Sul ao eixo turístico vai além de ser apenas uma obra de asfalto; é uma obra de inclusão social e econômica. Você retira o fluxo desnecessário dos corredores saturados e estimula o comércio nos bairros, fazendo com que a cidade cresça de forma policêntrica e mais equilibrada”, avalia Holanda.

O Conselheiro do Sinduscon reforça a importância da sustentabilidade e da mobilidade ativa como diferenciais competitivos para a capital paraibana nas próximas décadas. Para Alisson Holanda, a implementação de ciclovias e calçadas acessíveis, mencionada pela Seinfra, coloca João Pessoa em um patamar de modernidade alinhado às grandes metrópoles globais. “Não podemos mais pensar o trânsito apenas sob a ótica do automóvel. A infraestrutura que convida ao uso da bicicleta e à caminhada gera uma ocupação mais humana dos espaços públicos. João Pessoa está redesenhando seu futuro ao entender que vias eficientes são aquelas que funcionam para todos os modais, garantindo uma capital vibrante, segura e pronta para os desafios do amanhã”.

Limites físicos e inteligência urbana

João Pessoa enfrenta um desafio adicional por ser uma das capitais mais antigas do país, com traçado urbano estabelecido e limitações geográficas entre rios e o mar. Para Rubens Falcão, isso exige soluções que vão além do alargamento de vias. “O limite físico não significa limite de fluidez. Onde não podemos expandir lateralmente, investimos na requalificação do pavimento, sinalização inteligente e obras de transposição. O futuro da mobilidade passa pela inteligência urbana e pela inversão de prioridades”, afirma.

Essa inversão inclui investimentos em ciclovias, calçadas acessíveis e preparação para a implantação de corredores de transporte coletivo, como o sistema BRS (Bus Rapid System), que deverá priorizar ônibus em faixas exclusivas nos principais eixos da cidade.

Sobre a capacidade de antecipação da pasta, o secretário Rubens Falcão explica que a capital paraibana vive uma transição de modelo, saindo de uma atuação meramente reativa para uma gestão fundamentada em dados e resiliência. Segundo o secretário, embora a manutenção corretiva seja uma necessidade logística ininterrupta, ela hoje corre em paralelo a um robusto cronograma de obras estruturantes. Rubens Falcão detalha que essa estratégia se baseia em três pilares: a manutenção preditiva, para renovar corredores antes do desgaste total; a resiliência hidrológica, com a execução do Plano Diretor de Drenagem; e o planejamento tecnológico, fortalecido por parcerias como a do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

“Hoje, a SEINFRA sai de um modelo puramente reativo para uma gestão baseada em inteligência de dados e resiliência urbana. Nossa atuação hoje é híbrida, não estamos apenas consertando a João Pessoa de hoje; estamos construindo a infraestrutura que permitirá à capital crescer de forma ordenada e sustentável pelas próximas décadas. Através do programa João Pessoa Sustentável, utilizamos o mapeamento tecnológico para identificar vetores de crescimento. Isso permite que a SEINFRA chegue antes da ocupação, garantindo que novas áreas já nasçam com infraestrutura de drenagem, iluminação em LED e pavimentação técnica”, afirma o secretário.

No que diz respeito ao impacto do turismo, Rubens Falcão destaca que o status de João Pessoa como destino tendência mundial exige que a infraestrutura atue como um indutor de desenvolvimento econômico. O secretário pontua que o foco está na expansão do mapa turístico para a zona sul e na preservação do Centro Histórico. Rubens Falcão reforça que intervenções na Orla Sul, com investimentos de R$ 35 milhões, e o recapeamento de alta resistência em Tambaú e Cabo Branco são vitais para suportar a carga do fluxo turístico recorde que a cidade vem recebendo.

“O turismo em João Pessoa atingiu um patamar histórico, com ocupação hoteleira recorde acima de 90%. Esse fluxo exige que a infraestrutura deixe de ser apenas funcional para se tornar um indutor de desenvolvimento. Nossa estratégia foca em eixos como o Complexo Orla Sul, que integra as praias do Sol e Barra de Gramame, atraindo novos investimentos hoteleiros. Essas obras não são apenas corretivas; são estruturantes. Elas garantem que o ‘boom’ turístico de João Pessoa seja acompanhado por uma cidade preparada, moderna e segura”, explica Rubens Falcão.

Integração com ações estaduais e gestão do trânsito

As intervenções municipais dialogam com obras executadas pelo Governo do Estado, como o Viaduto Luciano Agra, entregue em etapas ao longo de 2025, e a via que liga o Altiplano ao Hospital Universitário Lauro Wanderley. Essas obras têm reduzido significativamente o tempo de deslocamento entre bairros e reorganizado fluxos estratégicos da capital.

Do ponto de vista operacional, a Superintendência de Mobilidade Urbana (Semob) atua na organização do tráfego durante as intervenções. Em entrevista recente à Rádio CBN Paraíba, o diretor de operações da Semob, Sanderson Cesário, explicou que interdições e desvios temporários fazem parte de uma estratégia necessária para viabilizar obras de grande porte, como o Viaduto Luciano Agra. Segundo ele, as mudanças já começam a gerar ganhos de fluidez e devem ser consolidadas com a conclusão das etapas finais das obras.

Viaduto Luciano Agra. Foto: Divulgação Governo da Paraíba

Planejamento como legado

Na avaliação de Rubens Falcão, o atual ciclo de investimentos representa não apenas a execução de obras, mas a construção de um legado urbano. “Estamos trabalhando para corrigir déficits históricos, mas também para deixar uma base sólida para o futuro. Infraestrutura não pode ser pensada apenas para resolver o problema imediato. Ela precisa antecipar o crescimento e garantir que a cidade continue funcional daqui a 10, 20 ou 30 anos”, afirma.

Alisson Holanda reforça que o impacto dessas intervenções vai muito além da fluidez do trânsito, e que atinge diretamente a dinâmica de valorização do solo e a atratividade para novos negócios. Segundo o diretor de Expansão do Creci-PB, quando o poder público investe em eixos de transposição e drenagem profunda, ele sinaliza ao mercado onde estão as áreas seguras para o desenvolvimento. “O investidor hoje busca segurança jurídica e infraestrutura de suporte. Quando a Seinfra entrega o Complexo Viário do Altiplano ou duplica os acessos ao Litoral Sul, ela está, na verdade, abrindo novas fronteiras econômicas. Isso gera um efeito cascata positivo: surgem novos centros comerciais, os imóveis se valorizam e a arrecadação do município cresce, permitindo que o ciclo de investimentos se retroalimente”, observa.

O conselheiro do Sinduscon também aponta que a integração entre o Plano Diretor e as obras de mobilidade é o que diferencia uma cidade que apenas cresce de uma cidade que se desenvolve. Para ele, o conceito de “cidade de 15 minutos”, onde o cidadão encontra o que precisa a curtas distâncias, depende de vias que suportam múltiplos modais e incentivam a ocupação humana. “Mobilidade urbana de excelência é aquela que oferece opções. Ao focar em calçadas acessíveis e ciclovias integradas, João Pessoa está se preparando para um futuro onde a qualidade de vida é o maior ativo. O planejamento que vemos hoje evita o colapso que muitas metrópoles enfrentam por terem pensado apenas no automóvel. Estamos criando uma capital que convida as pessoas a ocuparem as ruas com segurança e conforto”, avalia.

Por fim, Alisson Holanda destaca que a resiliência urbana mencionada pela gestão é um fator determinante para a sustentabilidade do mercado imobiliário e turístico a longo prazo. Ele reforça que o investimento em drenagem e em pavimentação de alta resistência é o que garante que o patrimônio público e privado seja preservado diante dos desafios climáticos. “Não existe desenvolvimento sustentável sem infraestrutura resiliente. O trabalho de antecipação da Seinfra, chegando antes da ocupação com drenagem e iluminação, é um legado que protege o futuro de João Pessoa. Quando a infraestrutura é robusta, a cidade se torna mais resiliente e menos custosa para o contribuinte, assegurando que o avanço econômico atual não seja efêmero, mas sim a base para uma capital próspera pelas próximas décadas”, conclui.

Com o turismo em expansão e a cidade em constante transformação, a mobilidade urbana consolida-se como um dos eixos centrais do planejamento de João Pessoa. O desafio agora é garantir que o crescimento continue sendo acompanhado por infraestrutura eficiente, integrada e pensada para as pessoas — condição essencial para que o avanço econômico se traduza em qualidade de vida e sustentabilidade urbana.

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