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Na Unesco, Paraíba defende reconhecimento do forró como patrimônio imaterial da humanidade
31/05/2024 / 18:17
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Forró foi declarado patrimônio imaterial nacional em 2021 e agora o objetivo é a internacionalização do ritmo, num projeto que já conta com o apoio de 14 estados brasileiros (todos os estados do Nordeste e do Sudeste e mais o Distrito Federal) e de pelo menos 30 países além do Brasil

O governo da Paraíba esteve representado em Paris, capital da França, numa série de encontros realizados nessa quinta-feira (30) e que teve como objetivo discutir o processo de salvaguarda do forró como patrimônio imaterial da humanidade.

Signatário do processo junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Estado enviou uma equipe técnica da Secretaria de Estado da Cultura da Paraíba (Secult-PB) para tratar da questão com representantes da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Além da equipe da Secult-PB, estavam presentes representantes da Secretaria de Cultura do Estado de Pernambuco, da Associação Cultural Balaio Nordeste e do Fórum Nacional de Forró de Raiz. O objetivo da missão era discutir o pleito e mostrar um pouco do que já foi reunido de documentos e de pesquisas sobre o forró enquanto expressão artística e identitária do Nordeste brasileiro.

O forró foi declarado patrimônio imaterial nacional em 2021 e agora o objetivo é a internacionalização do ritmo, num projeto que já conta com o apoio de 14 estados brasileiros (todos os estados do Nordeste e do Sudeste e mais o Distrito Federal) e de pelo menos 30 países além do Brasil.

O encontro principal aconteceu às 16h no horário local (11h no Brasil), quando a delegação brasileira se reuniu com Fumiko Ohinata, que responde na Unesco pela Secretaria da Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Imaterial. É justo o setor dela quem vai tratar da questão quando o processo for enviado pelo Iphan, o que deve acontecer ainda este ano.

Durante a reunião, Ohinata destacou a importância do intercâmbio e das vivências culturais, enfatizando o importante papel que governos e sociedade civil podem desempenhar nesse processo. Falando em inglês, ela fez uma analogia entre as expressões “body” (corpo) e “embody” (incorporar).

“O corpo fala sobre nós. Incorporar fala sobre troca, abraços, culturas. E isso nós não temos como mensurar a grandeza. Pois é justo isso o que estamos fazendo aqui. Estou muito feliz com a oportunidade de conhecê-los e de conhecer o forró”, comentou.

O processo de transformar o forró como patrimônio imaterial da humanidade é dividido em várias etapas. Primeiro, é necessário a salvaguarda do instituto nacional, o que aconteceu em 2021. Agora, a partir de requerimento oficial que partiu do governo da Paraíba, o Iphan vai enviar o pleito para a Unesco, que vai iniciar um trabalho de consultas públicas e pesquisas para saber se existe mesmo essa expressão cultural como fonte identitária de um povo e se a comunidade local reconhece essa expressão como sendo sua.

Trata-se, portanto, de um pleito que partiu da Paraíba, mas a partir de um diálogo com uma série de outras instituições e entidades. “Ninguém consegue realizar sozinho um projeto desse, de pleitear o reconhecimento do forró como patrimônio imaterial da humanidade. Então foi um debate que vem se estendendo por vários meses e anos e que conta com a participação de vários atores culturais. Ainda assim, é sempre uma honra saber que tudo partiu de uma inquietude transformadora da Paraíba”, destacou Pedro Santos, secretário de Estado da Cultura da Paraíba.

Antes do encontro com Fumiko Ohinata, uma primeira reunião já tinha sido realizada em Paris, dessa vez com Paula Alves de Souza, que é a delegada permanente do Brasil junto à Unesco. Ela reafirmou o apoio do país à proposta e explicou um pouco de todo o trâmite a partir de agora.

Uma ação que, de acordo com Joana Alves, presidente-fundadora da Associação Cultural Balaio Nordeste, que trabalha pela internacionalização do forró desde 2012, deve durar entre dois e três anos. “Todo um mapeamento, toda uma pesquisa em torno do tema vai ser realizado pela Unesco. Mas estamos confiantes de que o pleito será atendido”, resume.

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Processo de transformar o forró como patrimônio imaterial da humanidade é dividido em várias etapas

Fórum Internacional do Forró de Raiz 

Depois da parada em Paris, a delegação brasileira viaja para o Porto, em Portugal, para promover o Fórum Internacional do Forró de Raiz, que vai acontecer neste sábado (1º) e no domingo (2,) no Instituto Pernambuco Porto. Serão dois dias de atividades e de apresentações artísticas com o objetivo de promover a internacionalização do forró enquanto ritmo e dança.

O evento começa neste sábado (1º) com uma cerimônia de abertura a partir das 15h. Logo em seguida, vai ser realizada a mesa-temática “A construção do forró como patrimônio cultural imaterial da humanidade”. Já no sábado, novos debates vão ser realizados no turno da tarde, com temas diversos.

Para além disso, nos dois dias serão realizadas oficinas e feiras gastronômicas com comidas típicas do Nordeste brasileiro. Já as apresentações culturais ficarão reservadas para o turno da noite. No primeiro dia, se apresentam os paraibanos Sandrinho do Acordeon, Bira Delgado e Luiz Bento e o pernambucano Dorico Alves. Já no segundo dia, se apresentam o sergipano Robson Batinga, a piauiense Écore Nascimento, a paraibana Sandra Belê e a maranhense Flávia Bittencourt. Todos com apresentações que dão uma centralidade ao forró.