João Pessoa 28.13ºC
Campina Grande 26.9ºC
Patos 34.08ºC
IBOVESPA 121576.46
Euro 5.7431
Dólar 5.2896
Peso 0.0059
Yuan 0.73
O incrível e triste caso do político que não ouvia ninguém
02/03/2023 / 12:27
Compartilhe:

É fato que os políticos precisam ouvir o que vem da rua, pelo simples motivo de que de lá vêm as necessidades, vontades e a aceitação por parte de quem realmente importa: o povo. 

Muitos políticos não se esforçam o suficiente para ouvir o que os eleitores realmente querem. A história que contaremos descreverá o quão terrível pode ser o resultado disso. Os políticos que não ouvem as pessoas e não prestam atenção às suas necessidades, não conseguirão se destacar e nem terão vida longa. Este artigo contará, a partir do que deve ser feito, a história de um político – ou será a de muitos? – e como ele tornou-se vítima do próprio descaso.

Por quais razões os políticos deveriam ouvir os eleitores?

A história do político que não ouviu o seu eleitorado segue o roteiro inverso do que vamos descrever a partir daqui.

É importante entender as razões pelas quais os políticos devem estar atentos ao que os eleitores têm a dizer. Este é um dos principais papéis de um homem (ou mulher) público. Podemos apontar cinco razões:

  1. São os desejos e necessidades (conceito inicial de marketing) do povo que devem definir as políticas públicas que serão adotadas pelos governos – Executivo;
  2. Também são estes desejos e necessidades que definirão as ações que devem ser sugeridas, por meio de projetos de lei, por exemplo, por aqueles que estão no Legislativo;
  3. Por consequência, o legislador aponta àqueles à frente do Executivo, as prioridades que devem ser planejadas e implementadas; 
  4. Além disso, o político precisa estar ciente do que está acontecendo com o seu eleitorado, quais são suas carências;
  5. Para isso – vem aí a quinta e última das razões -, ao identificar estes desejos e necessidades, o político define as suas áreas prioritárias de atuação, torna-se referência nestas pautas e presta o melhor serviço possível, com o objetivo final de melhorar a vida de todos.

Infelizmente, nosso político deste quase-case recusou-se a entender as razões acima expostas.

“Pesquisas são muito caras”

Seguimos aqui, a começar pelo subtítulo acima, o caminho da agonia do nosso político. Para ele, pesquisa era uma inutilidade, afinal, pra que gastar com isso se “o pessoal lá da base passa pra mim exatamente o que o povo sente”. E segue com alguns rompantes da mais pura arrogância: “Eu conheço o meu eleitor. Ele não muda!”. 

Hein! Doce ilusão imaginar que as pessoas falam, de forma direta e sem qualquer receio, tudo aquilo que elas pensam e justamente pra quem: pro político ou para seus assessores. Mas vamos ao que interessa e depois a gente volta nele, o político, já quase arruinado.

Uma ferramenta útil para ajudar os políticos e os profissionais do marketing político a entenderem as necessidades dos eleitores é a pesquisa. Existem muitas formas científicas de aplicá-las. Não confundir com as famosas “enquetes”, estas sem qualquer base científica e, geralmente, lançadas para atender às famosas bolhas. Aqui, vamos nos deter naquilo que nosso amigo político mais detestava, a Pesquisa Qualitativa: “É muito caro!”.

“Pesquisas são Definidoras”

Destaque aqui para as Pesquisas Qualitativas, essenciais para o entendimento do processo eleitoral em que se pretende sair com a vitória. Aqui, os mais variados testes podem ser feitos, por meio de grupos focais, estratificados de formas variadas, a começar pela sua distribuição geográfica, uma vez que este tipo de pesquisa é geralmente mais válida para disputas de cargos majoritários. Da definição de grupos por regiões afunila-se para classes sociais, escolaridade, renda, perfil do voto (aqueles que já estão definidos por um determinado candidato e aqueles que ainda estão indecisos), enfim.

Foco nos desejos e necessidades dos eleitores. As Pesquisas Qualitativas contribuem para o mapeamento de cenários, para a percepção de características que os eleitores buscam nos candidatos, e por meio delas consegue-se chegar a definições essenciais, como o conceito de campanha, geralmente traduzido nos diferenciais que meu candidato apresenta e identificadas pelos públicos ouvidos.

Tá. Você já está na cadeira. E a avaliação do mandato?

“Meu eleitor já me avaliou nas urnas”, disse o nosso já combalido político. Certamente, ao pensar assim, na próxima jornada vai estar destilando impropérios contra “seus” eleitores, chamando-os de traidores e coisas do tipo. É a pá de cal.

Retomemos o que interessa. Uma ferramenta importante é o Diagnóstico/ Avaliação de Mandato. O primeiro passo já começou lá atrás, na campanha e nos primeiros meses do mandato, quando foi realizado o Planejamento Estratégico. Não foi. Ai! Olha o nosso político moribundo. Você não vai querer ser ele amanhã, ou vai?

Os políticos em mandato precisam entender a aceitação e efetividade de suas ações, ou seja, seus efeitos sobre o eleitorado. A campanha acabou e o discurso agora é outro. Então, como está sendo a minha aceitação nas redes sociais? Que comparativo eu tenho em relação ao que elas eram nos períodos da pré-campanha e da campanha? Tenho feito testes A/B antes de fazer minhas publicações?

Um Diagnóstico Virtual, que passa também pelos processos de indexação, via Google e YouTube, é essencial. Não esqueça de espaços importantes como o Twitter, o WhatsApp, o Telegram, o Linkedin e mesmo o TikTok – sim, os políticos já estão nele. E você?

E a resposta do nosso político quase-case foi: “Essas coisas me cansam”. Pronto, morreu. Conhecem casos semelhantes? Infelizmente, não é difícil encontrá-los. Esperamos que este não seja o seu caso. A Alcateia Política te pergunta: “Bora trabalhar?”.

*Gabriel Scarpellini é membro fundador da Alcateia Política, é publicitário e especialista em Marketing Político e Comunicação Governamental pelo IDP. Sócio da GAS 360, agência de publicidade, e atua também como consultor em marketing político. Colunista do Blog Alcateia Política.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

*João Henrique Faria é jornalista, estrategista político, professor da pós-graduação em Comunicação Pública e Governamental da PUC-MG, proprietário da Fator Consultoria e membro fundador do Coletivo Alcateia Política