
Oracle iniciou uma rodada de demissões que deve atingir milhares de funcionários, conforme reportagem divulgada pela TV norte-americana CNBC nesta terça-feira (31). A empresa vincula essas demissões a uma reestruturação que inclui aumento dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial para fortalecer sua atuação no mercado de nuvem, onde concorre com gigantes como Alphabet e Amazon.
Em março, a Oracle informou que os custos totais da reestruturação para o ano fiscal de 2026 podem chegar a US$ 2,1 bilhões, principalmente com indenizações e despesas ligadas às demissões. No mesmo dia, a companhia comunicou o desligamento de 491 funcionários que atuam remotamente em Washington e em escritórios de Seattle. Os cortes passam a valer a partir de 1º de junho, conforme a legislação trabalhista americana, que exige aviso prévio de 60 dias.
O movimento da Oracle segue uma tendência adotada por outras empresas de tecnologia como Amazon e Meta, que também reduziram suas equipes alegando que as novas ferramentas de inteligência artificial possibilitam produzir mais com menos empregados. Líderes do setor, como Mark Zuckerberg e Jack Dorsey, têm defendido a manutenção de equipes menores no futuro.
Apesar dos cortes, as unidades da Oracle em Seattle continuarão funcionando normalmente. A empresa somava cerca de 162 mil funcionários em tempo integral até maio de 2025. Procurada pela Reuters, a Oracle não comentou os detalhes da reportagem da CNBC.
Segundo o site Layoffs.fyi, mais de 70 companhias de tecnologia cortaram aproximadamente 40 mil vagas em 2026, enquanto redirecionam recursos para o desenvolvimento da inteligência artificial. Este cenário tem gerado preocupação sobre os impactos no mercado de trabalho.
Após o anúncio das demissões, as ações da Oracle tiveram alta superior a 5% nas negociações da tarde, embora ainda apresentem queda acumulada de cerca de 29% no ano.