Padilha diz que escolas de medicina com baixo desempenho podem ser proibidas de aplicar vestibulares
22/01/2026 / 16:43
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou nesta quinta-feira (22) que escolas de Medicina com baixo desempenho em avaliações oficiais poderão ser alvo de medidas administrativas, como a proibição de realizar vestibulares, restrição na ampliação de vagas e, em casos extremos, o descredenciamento dos cursos, caso não apresentem melhora nos indicadores de qualidade.

A declaração foi dada após a divulgação dos resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, aplicado pelo Ministério da Educação (MEC), e comentada pelo ministro durante entrevista a jornalistas no Rio de Janeiro.

De acordo com os dados apresentados, 99 dos 304 cursos avaliados, o equivalente a cerca de 32%, obtiveram conceitos 1 e 2, considerados insatisfatórios. Para Padilha, os números evidenciam falhas graves na formação médica e apontam para a necessidade de uma atuação mais rigorosa do poder público.

“Se essas instituições não melhorarem, não vão poder mais fazer vestibular, ampliar e talvez não vão mais funcionar. Se não tiver medidas de melhora e isso não apareça no futuro elas podem ser descredenciadas”, afirmou o ministro.

Padilha também criticou a expansão acelerada de cursos privados de Medicina nos últimos anos, que, segundo ele, ocorreu sem a devida garantia de qualidade no ensino e na formação dos profissionais.

“O ministério está colocando a casa em ordem. O Enamed vai dar um choque de realidade e terapias para cuidar da qualidade da formação médica”, acrescentou.

O ministro declarou ser favorável à discussão sobre a possibilidade de o Enamed vir a funcionar como um exame de proficiência para médicos recém-formados, nos moldes de um “exame de ordem”. Ele ressaltou, no entanto, que a proposta depende de debate e aprovação no Congresso Nacional para entrar em vigor.

Sobre a judicialização do exame, Padilha afirmou que há espaço para sugestões e justificativas, mas observou que, até o momento, nenhuma delas prosperou na Justiça.