
A morte de peixes no Açude Velho, um dos principais cartões-postais de Campina Grande, no Agreste da Paraíba, voltou a acender o alerta sobre a qualidade ambiental do reservatório. Quase 10 toneladas de peixes mortos já foram retiradas do local, segundo a Prefeitura, em uma operação que mobiliza equipes desde o último domingo (11 de janeiro).
De acordo com a Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma), mais de 60 trabalhadores atuam na limpeza do açude. Os peixes recolhidos estão sendo encaminhados para um aterro sanitário. A gestão municipal também deve intensificar o uso de aeradores, equipamentos que ajudam a movimentar e oxigenar a água, na tentativa de reduzir novos danos à fauna aquática.
A aparição de peixes mortos no Açude Velho não é um fato isolado e costuma ocorrer neste período do ano. Especialistas apontam que o problema está relacionado ao excesso de nutrientes como fósforo e nitrogênio, que provoca a redução do oxigênio na água e acaba sufocando os animais.
Nesta ocorrência, no entanto, o volume de peixes mortos chamou atenção pela escala, além do impacto direto para moradores e comerciantes da região, que relatam mau cheiro e transtornos no entorno do açude.
A situação passou a ser apurada por diferentes órgãos. A Polícia Civil da Paraíba abriu um inquérito para investigar a possibilidade de crime ambiental. Amostras da água e de peixes foram coletadas e encaminhadas para análise no Instituto de Polícia Científica (IPC-PB). Ainda não há prazo para a divulgação dos resultados.
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) também acompanha o caso. Um inquérito civil instaurado em novembro investiga o despejo irregular de esgoto no Açude Velho, além das mortes dos peixes. A apuração é conduzida pela Promotoria do Meio Ambiente de Campina Grande.
A Defensoria Pública do Estado da Paraíba (DPE-PB) requisitou da Prefeitura uma série de informações sobre a situação do açude. Entre os pedidos estão:
O prazo para resposta é de 15 dias.
A Prefeitura de Campina Grande informou que avalia medidas estruturais para melhorar a qualidade da água do Açude Velho. Um projeto de requalificação está em fase de estudos e deve ser finalizado até o fim do primeiro semestre de 2026, com previsão de licitação.
Entre as ações previstas estão a instalação de equipamentos permanentes de oxigenação, além da dragagem do reservatório, que pode reduzir o acúmulo de sedimentos e melhorar as condições ambientais. O projeto também inclui melhorias urbanas, como requalificação de calçadas, acessibilidade e tratamento das águas.
Enquanto isso, o caso segue sob investigação e acompanhamento dos órgãos ambientais e de controle, diante da importância simbólica e ambiental do Açude Velho para Campina Grande.