
O aumento de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras no dia 1º/04 deve influenciar o custo das passagens aéreas nos próximos meses, indicam especialistas. O reajuste, que acompanha a valorização internacional do petróleo, preocupa passageiros e companhias aéreas.
O contexto geopolítico envolvendo a ofensiva americana e israelense contra o Irã elevou os preços globais do petróleo e seus derivados. No caso do QAV, que tem parte de sua produção vinculada ao petróleo importado, o impacto deve ser percebido no Brasil em até três meses, segundo Viviane Falcão, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Apesar de as empresas aéreas fecharem contratos de combustível com antecedência de seis meses, o reajuste pode ser repassado aos consumidores antes desse prazo, devido à proximidade do período de férias e ao segundo semestre, quando a demanda costuma ser maior. A Petrobras já havia aumentado os preços do QAV em 9,4% em março.
Analistas estimam que as passagens podem subir entre 15% e 20% somente pelos efeitos do aumento do combustível, que corresponde a cerca de um terço dos custos operacionais das companhias. Com os reajustes recentes, esse percentual pode chegar a 45%, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear).
Além do aumento nos preços, há preocupação com a possível redução no número de voos, o que já ocorre em outros países diante do cenário atual. A diminuição da oferta tende a elevar a ocupação dos voos, que atualmente está em torno de 90% nas principais companhias brasileiras.
A Petrobras propôs condições de parcelamento do reajuste para as distribuidoras de combustível, permitindo um aumento inicial limitando em 18%, com o restante pago em até seis parcelas a partir de julho de 2026. Essa medida pode amenizar o impacto imediato para as aéreas e, consequentemente, para os passageiros.
O Ministério de Portos e Aeroportos encaminhou ao Ministério da Fazenda uma proposta com medidas para aliviar o setor, incluindo redução temporária de tributos sobre o QAV, diminuição do IOF em operações financeiras das companhias e redução do Imposto de Renda sobre contratos de leasing de aeronaves. Também está sendo avaliada a criação de uma linha de financiamento temporária para compra de combustível pelo Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac).
Segundo especialistas, a aviação é um serviço essencial no Brasil pela ausência de alternativas eficientes para viagens longas, especialmente na região Norte. A atual alta nos preços do combustível reflete décadas de falta de investimentos e políticas estruturais no transporte aéreo pelo Estado.
Fonte: Petrobras, Universidade Federal de Pernambuco, Associação Brasileira das Empresas Aéreas, Ministério de Portos e Aeroportos