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Petróleo da Venezuela e sua importância para os EUA
05/01/2026 / 14:49
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Foto: Reprodução/Pixabay

O petróleo da Venezuela é o foco das recentes investidas dos Estados Unidos contra o governo de Nicolás Maduro. Após a captura do líder venezuelano, o então presidente Donald Trump afirmou que os EUA “governarão” a Venezuela até garantir uma transição segura, destacando o interesse nas reservas petrolíferas do país.

Segundo Trump, as grandes empresas petrolíferas americanas serão incentivadas a investir bilhões para reparar a infraestrutura petrolífera venezuelana e gerar receita. A economia da Venezuela é fortemente dependente do petróleo, que representa cerca de 90% das receitas de exportação do país e manteve o governo Maduro mesmo diante de sanções internacionais.

Reservas e produção de petróleo

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo bruto pesado do mundo, estimadas em mais de 300 bilhões de barris, superando até a Arábia Saudita. Contudo, sua produção caiu mais de 70% desde a década de 1990, atualmente representando menos de 1% da produção global.

Esse declínio atribui-se a fatores como corrupção na estatal PDVSA, falta de investimentos e sanções impostas pelos EUA a partir de 2017. Apesar disso, a PDVSA estabilizou a produção em cerca de 1 milhão de barris diários, com licenças que permitem a empresas estrangeiras limitadas operações no país.

Investimentos das empresas americanas

Historicamente, empresas americanas tiveram grande participação na indústria petrolífera venezuelana, embora a maioria tenha deixado o país após a revolução socialista liderada por Hugo Chávez, com exceção da Chevron. Esta última recebeu autorização especial para retomar exportações sob condições restritas e pode ser a principal beneficiária da volta dos investimentos americanos.

Trump indicou que outras empresas, como ExxonMobil e ConocoPhillips, poderiam retornar. Ambas tiveram ativos expropriados pelo governo venezuelano, o que gerou processos de indenização não pagos. Trump classificou essas perdas como “um dos maiores roubos de propriedade americana na história do país”.

Embora os EUA sejam o maior produtor mundial de petróleo, sua produção é majoritariamente de petróleo bruto leve, diferente do petróleo pesado que suas refinarias, especialmente na costa do Golfo do México, são preparadas para processar. Por isso, os EUA importam petróleo pesado do Canadá, México e historicamente da Venezuela.

A produção venezuelana, apesar da queda, representa um tipo de petróleo valorizado pelas empresas americanas, o que explica o interesse em restabelecer o fornecimento.

Desafios para a retomada do petróleo venezuelano

Existem dúvidas sobre a viabilidade imediata do retorno do petróleo venezuelano ao mercado americano. A infraestrutura está degradada, e questões políticas ainda interferem na operação da PDVSA. Dan Brouillette, ex-secretário de Energia dos EUA, destacou que a maior dificuldade está na governança, no acesso ao capital e na execução dos projetos de exploração.

A demanda global por petróleo também representa um desafio, com preços em queda e mercado saturado previsto para 2026.