
O Plano de Desligamento Voluntário (PDV) dos Correios registrou, até a manhã desta segunda-feira (30), 2.347 adesões de funcionários, número abaixo da meta prevista pela estatal. A expectativa inicial era que 10 mil trabalhadores deixassem a empresa ainda em 2026, com uma projeção adicional de cinco mil desligamentos em 2027.
O PDV é uma estratégia adotada por empresas para reduzir o quadro de pessoal por meio de acordos voluntários, evitando demissões em massa. Os funcionários recebem incentivos para pedir demissão por vontade própria, o que permite à empresa ajustar seus custos e estrutura.
No dia 27 de março, os Correios anunciaram a prorrogação do prazo de adesão ao programa, que agora vai até 7 de abril, estendendo o encerramento que ocorreria em 31 de março. Segundo a estatal, essa extensão visa oferecer mais tempo e segurança para os empregados avaliarem as novas condições de assistência médica, incluindo a ampliação regional do Plano Família da Postal Saúde.
Os Correios enfrentam uma crise financeira histórica, resultado do acúmulo de prejuízos nos últimos anos. Em 2022, a empresa registrou um déficit superior a R$ 700 milhões, que aumentou para R$ 2,5 bilhões em 2024. O balanço financeiro de 2025 ainda não foi fechado oficialmente, mas a perspectiva é de continuidade das perdas.
Para manter as operações, a estatal negociou um empréstimo de R$ 12 bilhões com cinco bancos, dos quais R$ 10 bilhões foram liberados no início de 2026 com garantias oferecidas pelo Tesouro Nacional. Esse recurso será utilizado para quitar dívidas imediatas e financiar as atividades da empresa, que pode necessitar de até mais R$ 8 bilhões ainda neste ano.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou no final de 2025 que, se o ciclo de prejuízos continuar, o rombo financeiro de 2026 pode atingir R$ 23 bilhões. Para tentar conter essa situação, os Correios adotaram um plano de reestruturação que inclui o PDV, corte de cerca de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal, venda de imóveis e fechamento de aproximadamente mil agências, sendo que a empresa atualmente conta com cerca de 5 mil unidades.
O objetivo do plano é reverter uma sequência de 12 trimestres consecutivos de prejuízos e tornar o modelo econômico-financeiro da estatal sustentável. A previsão é economizar R$ 2 bilhões por ano a partir de 2027 com as medidas implementadas.