
Dois homens foram presos em Londres como suspeitos de envolvimento no incêndio que destruiu quatro ambulâncias da comunidade judaica na segunda-feira (23 de março de 2026), próximo a uma sinagoga. A polícia da capital britânica confirmou as detenções nesta quarta-feira (25).
Este tipo de crime está inserido no crescente contexto dos ataques antissemitas no Reino Unido, que têm aumentado significativamente desde o início da guerra entre Israel e Hamas no final de 2023. Segundo o Community Security Trust, organização que atua na proteção da comunidade judaica, o número de incidentes antissemitas saltou de 1.662 em 2022 para 3.700 em 2025.
A polícia informou que os dois homens, de 47 e 45 anos, de nacionalidade britânica, foram detidos em pontos distintos da cidade, um no noroeste e outro no centro de Londres. Eles são suspeitos de incêndio criminoso com intenção de colocar vidas em risco.
O ataque não deixou feridos, mas provocou a explosão de cilindros presentes nas ambulâncias, o que danificou janelas de um prédio residencial vizinho. As ambulâncias pertenciam à Hatzola Northwest, uma organização voluntária que oferece atendimento médico emergencial à comunidade judaica, especialmente em Golders Green, área com expressiva população judaica.
A unidade antiterrorismo da polícia de Londres assumiu o caso, ainda que o incêndio não tenha sido oficialmente classificado como um ato terrorista até o momento. Um grupo identificado como Ashab al-Yamin reivindicou a ação em um vídeo divulgado no canal Telegram. Segundo a organização SITE Intelligence Group, especializada na análise de grupos jihadistas, o Ashab al-Yamin é pró-iraniano e já assumiu atentados recentes na Bélgica e na Holanda.
Mais cedo, em outubro de 2025, houve um ataque a faca fora de uma sinagoga em Manchester, que resultou na morte de duas pessoas durante celebração do Yom Kippur.
As autoridades continuam as investigações para esclarecer as motivações e identificar possíveis conexões dos suspeitos com organizações extremistas.