Pré-candidato ao Governo do Rio, Freixo deixa PSOL e deve se filiar ao PSB

Freixo já conta com o apoio do PT e tem Lula como principal fiador de sua campanha

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – O deputado Marcelo Freixo (RJ) anunciou nesta sexta-feira (11) sua desfiliação do PSOL, onde estava desde 2005. Em entrevista à revista Veja, ele disse que se filia ao PSB ainda neste mês.

Freixo é pré-candidato ao Governo do Rio e escolheu o marqueteiro Renato Pereira como um dos estrategistas para a sua campanha eleitoral.

A escolha foi lida no meio político como demonstração de sua disposição em disputar o cargo em um cenário ainda indefinido da política fluminense. Freixo inclui em sua equipe um ex-colaborador próximo do ex-governador Sérgio Cabral, seu rival político há anos no estado e preso desde novembro de 2016.

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O marqueteiro foi inicialmente incluído no grupo para coordenar pesquisas de análise do cenário político fluminense. A intenção é que ele permaneça até a eleição de 2022.

Renato venceu duas eleições estaduais com Cabral e fez a campanha do sucessor, Luiz Fernando Pezão. Também fez as duas primeiras campanhas vitoriosas de Eduardo Paes (PSD) à Prefeitura do Rio de Janeiro.

O marqueteiro também fechou há dois anos acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República no qual confessou sua participação em fraudes de licitação e caixa dois em campanhas eleitorais. Além de Cabral, a delação atinge Paes, com quem Freixo tem dialogado sobre uma frente antibolsonarista no estado.

“Renato é um excelente profissional, um dos mais qualificados do país. Minhas campanhas sempre foram feitas como essa também será: com transparência e correção. Não há condenação perpétua sobre ninguém. Temos que reunir o que tem de melhor para resgatar o Rio”, disse Freixo.

Além das disputas no Rio de Janeiro, Renato atuou em campanhas de Henrique Capriles na Venezuela contra o ditador Hugo Chavez, morto em 2013, e do ex-presidente peruano Pedro Paulo Kuczynski, o PPK, que renunciou na esteira de escândalos de corrupção apontados pela Lava Jato.

Ele também fez o início da pré-campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB), em 2013, e de Paulo Skaf (MDB) ao Governo de São Paulo, tendo elaborado a campanha do “pato da Fiesp”, também alvo da sua colaboração à PGR. Procurado, ele não quis comentar o novo projeto.

O retorno de Renato ao mercado da política coincide com a volta de João Santana, outro marqueteiro que se tornou colaborador da Lava Jato apontando supostos crimes cometidos pelo ex-presidente Lula e outros membros do PT. Ele agora integra a equipe de Ciro Gomes (PDT).

A entrada de Renato coincide com a saída de Freixo do PSOL. O deputado deve ir para o PSB para ampliar a possibilidade no arco de aliança que pretende construir no ano que vem.

“O meu nome está à disposição. Mas se tiver outro nome com mais chances, não há problema com isso. Muita gente está chegando”, afirmou ele.

Freixo já conta com o apoio do PT e tem Lula como principal fiador de sua campanha.
O ex-presidente passa o fim desta semana no Rio de Janeiro em encontros com potenciais aliados. Participou nesta quinta-feira (10) de encontro com líderes de esquerda. Na sexta-feira (11), almoça com Paes e com brizolistas históricos que deixaram o PDT, como Vivaldo Barbosa (PT). O ex-presidente tem também um encontro com artistas.

O PDT considera difícil embarcar na candidatura de Freixo, o que exigiria um palanque dividido entre Ciro e Lula. O ex-prefeito de Niterói Rodrigo Neves, também citado na colaboração de Renato Pereira, é um dos nomes cotados do partido.

O deputado tem tentado ampliar sua base de apoio com partidos de centro. Uma das conversas constantes é com o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que recentemente migrou do DEM para o PSD para ter maior liberdade para a discussão de aliança no estado.

O grupo de Paes ainda avalia se embarca na candidatura de Freixo ou se apresenta um nome próprio. O mais cotado é do presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz. O secretário municipal de Fazenda, Pedro Paulo (DEM), também é citado como possível candidato do grupo.

O movimento tenta formar uma ampla aliança para enfrentar o governador Cláudio Castro (PL), que assumiu o cargo depois do processo de impeachment de Wilson Witzel e que deve contar com apoio do presidente Jair Bolsonaro.

Castro, por sua vez, tem se aproximado de prefeitos da Baixada Fluminense e do interior. Ele tem forte apoio do prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis (MDB), também aliado de Bolsonaro.

O governador tem sinalizado radicalização de seu discurso nas últimas semanas, o que agradou eleitores bolsonaristas. Após a operação policial na favela do Jacarezinho que deixou 28 pessoas mortas, a mais letal da história do estado, ele atacou Freixo e “sua trupe do PSOL”.

“Depois de uma operação feita para cumprir mandados judiciais, eles acham que vão meter medo na gente, vão fazer com que a polícia deixe de fazer o seu trabalho, querendo inventar CPI ou pedido impeachment. Seu Marcelo Freixo e a sua trupe do PSOL podem pedir quantos impeachments forem que a polícia fará o seu trabalho. Temos uma grande missão hoje aqui, que é libertar o nosso povo. Libertaremos nosso povo, inclusive, de vocês”, discursou ele.

Castro também aposta nos R$ 22,7 bilhões arrecadados com a venda da Cedae e na adesão ao novo Regime de Recuperação Fiscal, o que lhe deu fôlego financeiro para investimentos.

Aliados acreditam que os recursos poderão auxiliar Castro a enfrentar um de seus maiores desafios —firmar sua identidade para além de Bolsonaro, porém sem se descolar do presidente.

Para interlocutores, o governador é uma folha em branco e, com os valores da Cedae, terá a oportunidade de deixar sua marca, por meio de grandes investimentos e projetos.

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