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Pré-carnaval impulsiona a economia criativa em João Pessoa
06/02/2026 / 09:30 / Thyfine Kelle
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Se tem uma coisa que não falta no centro de João Pessoa, é cor. Tiaras, glitter, fantasias, maquiagens e acessórios tomam conta das vitrines e das ruas. Mas, por trás desse visual vibrante que anuncia a chegada do Carnaval, existe algo ainda maior: criatividade, trabalho manual e uma economia que pulsa.

No Parque Solon de Lucena e no comércio do centro da capital paraibana, o clima de pré-carnaval já movimenta lojas, bancas de rua, ateliês e pequenos produtores. A procura por adereços cresce e transforma o período em uma das épocas mais importantes para a economia criativa local.

A busca por tiaras, glitter, saias de tule, abadás customizados, fantasias artesanais e acessórios cheios de brilho intensificou bastante e reflete o impacto direto no comércio popular.

“Com esse aumento de pessoas em João Pessoa, o fluxo aqui no centro cresceu muito”, confirma Rebeca Rocha, vendedora de uma loja de acessórios. Segundo ela, os itens mais procurados são saias de tule, orelhinhas, glitter e acessórios que misturam prata com dourado, combinação que tem feito sucesso entre os foliões.

Quem trabalha nas ruas também sente o aquecimento. O ambulante Aglair da Silva atesta que os adereços lideram as vendas. “O que mais sai são as fantasias de coelhinha e diabinha.”, afirma. No carnaval, a rua deixa de ser apenas passagem e vira vitrine.

Criatividade autoral amplia renda e conquista até o mercado pet

Fantasias artesanais para pets também se tornaram uma fonte de renda no período carnavalesco e mostram como a economia criativa encontra novos nichos. O segmento cresce impulsionado por foliões que fazem questão de incluir os animais na festa e movimenta o trabalho de costureiras e artesãos.

A costureira Lindalva de Souza começou a produzir roupas e acessórios para pets durante a pandemia e transformou a iniciativa em negócio. No Carnaval, saias, lacinhos e fantasias feitas à mão ganham destaque entre as encomendas. “O pessoal gosta muito. Estou fazendo bastante. As pessoas compram, encomendam, e isso me deixa muito feliz”, conta.

O caso ilustra como o trabalho artesanal se adapta às demandas do mercado, transforma criatividade em renda e amplia as possibilidades de empreendedorismo dentro da economia criativa local.

Brilho, cor e identidade movimentam o mercado da maquiagem artística

A maquiagem artística se consolidou como parte essencial da fantasia carnavalesca e também como fonte de renda para profissionais da beleza. Com mais de dez anos de atuação, o maquiador Marcio Izzy acompanha de perto o aumento da procura neste período e define o Carnaval como um dos momentos mais intensos para quem vive da arte.

“É uma injeção de adrenalina, cor e muito brilho. Durante o Carnaval, nós, maquiadores, somos bastante procurados”. Segundo Marcio, a demanda cresce tanto entre foliões quanto entre artistas e blocos, ampliando o mercado e valorizando produções autorais. As tendências deste ano apontam para maquiagens ousadas, com forte identidade visual e inspiração na natureza. “Estamos vendo recortes bem marcados, uso intenso de cores e referências como o pôr do sol. As cores frias também aparecem com força”, explica.

Para o profissional, o período também é uma oportunidade de visibilidade, experimentação estética e conexão direta com o público. “O Carnaval permite criar, ousar e mostrar a arte na rua. É quando o trabalho ganha vida e identidade”, completa.

Investimentos na festa fortalecem a economia local e o turismo

Com investimento de R$ 4 milhões anunciado pelo Ministério do Turismo e pelo Governo da Paraíba, a festa ganhou fôlego institucional e passou a impactar diretamente quem cria, costura, vende, pinta e reinventa o Carnaval todos os anos. Pequenos negócios, trabalhadores informais e empreendedores criativos sentem o aumento da demanda e do faturamento ainda no período de pré-carnaval.

O apoio público fortalece iniciativas como o Folia de Rua, o Via Folia e o Carnaval Tradição, amplia o calendário festivo da capital e impulsiona a circulação de moradores e turistas. Esse fluxo se reflete nas vitrines, nas bancas de rua, nos ateliês e nos serviços criativos que sustentam a economia carnavalesca da cidade.

Esse cenário local acompanha uma tendência nacional. Segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o Carnaval de 2026 deve gerar R$ 14,48 bilhões no setor de turismo brasileiro. Se confirmado, será o maior volume desde o início da série histórica, em 2013, considerando valores corrigidos para janeiro de 2026.

No fim das contas, o Carnaval transforma a cidade. A rua deixa de ser apenas passagem e se consolida como palco, vitrine e ateliê. Uma festa que fortalece a economia urbana, valoriza o feito à mão e evidencia que, muito além da folia, a criatividade também é motor de desenvolvimento econômico.